Chuva na Bahia afeta a terceira safra de feijão e oferta deve recuar

A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de uma produção de 863,3 mil toneladas de feijão na terceira safra do ciclo 2016/17, não deve se concretizar e a oferta será menor do que o mercado gostaria. O resultado é que o preço da leguminosa mais querida dos brasileiros vai subir.

Levantamento do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), feito com produtores do Nordeste, indica que a área plantada na região ficou aquém do que a Conab estima (386,3 mil hectares no Nordeste e 641,9 mil no Brasil). Isso porque chuvas em excesso encharcaram as terras no período de plantio, em maio. Depois disso, a chuva continuou no Nordeste, prejudicando o feijão quase pronto para a colheita.

"A Conab se baseia em estatísticas para fazer suas previsões. Mas nós mandamos um engenheiro agrônomo para a região [Nordeste], que percorreu 4 mil quilômetros para verificar a situação das lavouras e a intenção dos produtores", afirma o presidente do conselho do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders.

Em Adustina (BA), polo de produção de feijão, por exemplo, houve 130 mm de chuvas em oito dias, o esperado para todo o mês de setembro. Lá e em Euclides da Cunha chove praticamente há 19 dias. Adustina, Euclides e mais 13 municípios vizinhos formam a maior região produtora de feijão de inverno (3ª safra) da Bahia. "A terceira safra nacional enfrenta problemas todos os anos, ou seca, como em 2016, ou de chuva, como agora", diz Lüders. "O feijão estava pronto para colher e apodreceu e o que estava no chão e prestes a sair da palha, apodreceu também".

A expectativa de Lüders é de aumento nos preços do grão. Mas não nos patamares de 2016, quando a quebra da safra fez a saca do feijão superar os R$ 400 em algumas regiões. E a alta já começou. Entre o dia 8 e o dia 20 de setembro, a saca de feijão teve um reajuste médio de 24%, chegando à média nacional de R$ 130. "Os empacotadores do Norte e do Nordeste estão indo atrás do feijão armazenado em Minas e Goiás".

Esses dois Estados estão finalizando a colheita de terceira safra e têm produto armazenado do verão. O Mato Grosso também começou a colher. Os três têm de atender a demanda nacional até janeiro de 2018, quando começa a colheita da safra de verão.

O feijão irrigado de São Paulo também chegará ao mercado a partir do fim deste mês ou início de outubro, mas a safra paulista atende só o Estado. "A colheita e a entrega ocorrem no dia em SP, sem nenhum armazenamento. Então, sobra pouco para o Nordeste", afirma Lüders.

O Nordeste é o maior consumidor de feijão do país. Os 60 milhões de habitantes da região consomem 1,3 milhão de sacas de feijão por mês, estima o Ibrafe. "Na região, apenas um pouco de grão danificado será aproveitado".

Nesse cenário, Lüders avalia que o feijão pode subir no fim do ano, para algo entre R$ 130 e R$ 180 a saca. "A alta poderá ser ainda maior a depender do plantio de verão no Paraná e se o clima ajudar a temporada". Neste momento, 16% da área estimada para o feijão no Estado foi semeada, ante a média histórica de 45%. A falta de chuva tem impedido o plantio.

Por Fernanda Pressinott | De São Paulo

Fonte : Valor

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