Chiquita desiste de fusão e deve ser adquirida por Cutrale e Safra

Pivô de uma acirrada disputa nos últimos meses, a americana Chiquita Brands, uma das maiores produtoras e comercializadoras de bananas do mundo, abandonou, por decisão tomada por seus acionistas em assembleia na sexta-feira, a proposta de fusão com sua concorrente irlandesa Fyffes e agora vai negociar a venda de seu controle aos grupos brasileiros Cutrale e Safra.

A decisão marca uma inflexão nos rumos da múlti americana, dona de uma receita anual de US$ 3,1 bilhões e que, desde o início do ano, caminhava para a fusão com a Fyffes. E poderá significar um reforço de peso para a estratégia de diversificação da Cutrale. A companhia convive com uma progressiva queda da demanda global por suco de laranja e, nesse contexto, já começou também a atuar como trading de soja.

A fusão da Chiquita com a Fyffes, que tem receita anual da ordem de € 1 bilhão, envolveria troca de ações de US$ 500 milhões. Inicialmente, as empresas indicaram que a união poderia resultar em economia anual de US$ 40 milhões até 2016 e um Ebitda de US$ 214 milhões, fora ganhos de produtividade e aumento da capacidade de geração de fluxo de caixa.

A união chegou a ser aprovada pelo conselho de administração de ambas e chegou à Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia. Mas os planos sofreram o primeiro revés em 11 de agosto, quando Cutrale e Safra fizeram uma oferta hostil de US$ 625 milhões (US$ 13 por ação) pela aquisição da Chiquita, além da assunção de dívidas. Apesar do ágio de 29% ante o preço da ação da Chiquita, a proposta foi rechaçada pelo conselho da empresa.

Os controladores emitiram nota na qual classificavam a proposta como "inadequada" e rejeitavam eventuais novas ofertas. A reação desencadeou uma agressiva troca mútua de acusações entre as partes. Um dos argumentos de Cutrale e Safra é que as vantagens financeiras da fusão seriam inferiores à proposta de aquisição apresentada pelos brasileiros.

Dias depois, Chiquita e Fyffes "descobriram" que a fusão entre ambas poderia resultar em uma economia de US$ 60 milhões – US$ 20 milhões mais do que o calculado antes da oferta hostil, em áreas de transporte e tecnologia da informação. A tensão se aprofundou, e a assembleia de acionistas da Chiquita que iria bater o martelo sobre a fusão com a Fyffes, agendada para 17 de setembro, foi prorrogada para 3 de outubro após pressão do Institutional Shareholder Services (ISS), de aconselhamento de acionistas.

Para arrefecer os ânimos, Cutrale e Safra chegaram a assinar um "acordo de entendimento" com a Chiquita para facilitar as negociações, mas a troca de acusações continuou. Nesse meio tempo, a Comissão Europeia autorizou a continuidade do processo de fusão das "bananeiras".

A reunião de acionistas foi adiada mais uma vez, para 24 de outubro. Cutrale e Safra decidiram voltar à carga e, nas semana passada, aumentaram a oferta pela americana para US$ 14 por ação. Sem resposta positiva de nenhum acionista nem do conselho de administração da Chiquita, a dupla elevou novamente sua proposta na sexta-feira passada, desta feita para US$ 14,50.

A oferta, que é 20% superior ao valor do acordo com a Fyffes, foi suficiente para ser considerada "significativa" por um influente investidor da Chiquita, a Wynnefield Capital, que detém 3,5% do capital da americana. E, ao que tudo indica, os brasileiros venceram a queda de braço.

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Fonte: Valor | Por Camila Souza Ramos e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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