China libera RR2 e abre mercado

Sementeiros estimam que há condições de cobrir 2 milhões de hectares com a nova variedade já na safra 2013/2014

O governo chinês aprovou a compra de duas variedades de soja geneticamente modificada, a Intacta RR2 PRO, da Monsanto, e a CV127, desenvolvida pela Embrapa e Basf, ambas tolerantes ao químico que controla a incidência de lagartas. A liberação foi anunciada pelo Ministério da Agricultura ontem, após o ministro Antônio Andrade, que está em visita à China, receber a notícia, durante encontro bilateral. O sinal verde do maior comprador da soja brasileira deverá representar a adoção em massa da tecnologia, embora, na safra 2013/14, ela esteja limitada pela oferta de sementes.

O presidente da Abrasem, Narciso Barison, calcula que a oferta de sementes da soja RR2, da Monsanto, será suficiente para suprir uma área plantada de 2 milhões de hectares na safra 2013/14, o que corresponde a 7% da área ocupada com o grão no país. Barison avalia que a multinacional deverá apresentar a política de preço em 15 dias. A Monsanto foi procurada pela reportagem, mas não se pronunciou sobre a liberação da tecnologia, que representa evolução em relação à RR1, que só oferecia controle de ervas daninhas.

O ministro lembrou que a aprovação torna-se ainda mais significativa em função da propagação da lagarta Helicoverpa armigera em vários estados do Brasil. ‘A redução de custo, embora não quantificada, será significativa. Na safra passada, foi necessário de três a cinco aplicações para controlar a lagarta’, diz o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller. As sementes aprovadas pela China já tinham seu uso autorizado no país, mas os sojicultores e as empresas detentoras das tecnologias estavam aguardando a aprovação chinesa pelo fato de o gigante asiático ser o principal mercado comprador. Só em abril deste ano, por exemplo, o Brasil exportou 7,15 milhões de t de soja, sendo que 5,6 milhões de t foram para a China.

A liberação chinesa deverá abrir uma negociação em relação ao custo da tecnologia de Norte a Sul do Brasil. O coordenador da Comissão de Grãos e Leite da Farsul, Jorge Rodrigues, espera que a Monsanto seja sensível aos produtores sobre a taxa tecnológica e o valor do royalty. ‘Se não tiver um bom resultado em preço e custo, a tecnologia não vai se estabelecer’, pondera Rodrigues. Segundo Glauber Silveira, presidente da Aprosoja Brasil, a notícia é relevante para o produtor brasileiro. ‘É uma tecnologia nova, que se mostrou mais produtiva em campos experimentais. Para nós é importante usar menos inseticida’, pontua.

Para o presidente da Agapan, Francisco Milanez, a liberação da China só se justifica pela pressão exercida pelos Estados Unidos, sede da Monsanto e país para o qual será deslocado o recurso oriundo dos royalties. ‘O país é o maior importador da China.’ Do ponto de vista do produtor, Milanez avalia que ele se engana ao pensar que está fazendo um ótimo negócio ao aderir à tecnologia. ‘Ele fica escravo da soja transgênica, que tem produtividade inferior à convencional’, pontua.

Fonte: Correio do Povo

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