China entusiasma a Santa Mônica

Primeiro foi o clima seco durante a florada do café entre setembro e novembro passado, que afetou a maturação dos frutos e atrasou a colheita da safra 2015/16 em Minas Gerais. Depois, as altas temperaturas entre dezembro de 2014 e janeiro deste ano comprometeram o enchimento dos grãos, que ficaram menores. Diante desse cenário, do qual não foi poupado, Arthur Moscofian Jr., proprietário do Café Santa Mônica, diz, em tom de brincadeira: "Produtor de café é o cara que mais fala com Deus".

Na fazenda do Café Santa Mônica, em Machado, no sul de Minas, onde Moscofian produz café arábica gourmet e as lavouras são irrigadas, a produção na safra 2015/16 deve ficar abaixo das 4.400 sacas do ciclo passado. Ele não cita números para a colheita final, mas afirma que o rendimento – 50 sacas por hectare na safra 2014/15 – deve ter queda de 10% nesta temporada.

A menor produção deve ter impacto sobre o faturamento da Santa Mônica, que alcançou cerca de R$ 17,4 milhões no ano passado. O produtor afirma, porém, que só será possível saber de quanto será o recuo no fim da colheita.

A perspectiva de redução da produção, porém, não tira o otimismo de Moscofian. A Café Santa Mônica, que vende café gourmet torrado e moído em empórios e no varejo especializado e está em cafeterias e restaurantes, acaba de lançar no mercado cápsulas de café com a marca Santa Mônica.

A demanda para exportação, principalmente da China, também entusiasma Moscofian. Hoje, a empresa exporta café verde para Estados Unidos e países da União Europeia. Para a China e também para os EUA, vende café torrado e moído. Segundo ele, há um aumento das consultas por parte dos chineses. "Pretendemos exportar mais porque o mercado está pedindo. Há muita consulta da China. Antes só vendíamos para Macau, agora há consultas de outras cidades, como Pequim e Guangzhou", afirma.

Hoje, 80% da produção da Santa Mônica é de café gourmet, que tem preços bem superiores ao produto convencional. Segundo Moscofian, a saca do produto está em R$ 800. Na última sexta-feira, o indicador Cepea/Esalq para o arábica ficou em R$ 414,60 a saca.

Por Alda do Amaral Rocha | De Machado

Fonte: Valor

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