China e o dólar, ou exportar é o que importa

A União Europeia (UE) saiu da recessão, cresceu parcos 0,3%, mas cresceu. Nos Estados Unidos da América (EUA), também há mais empregos e o déficit fiscal diminuiu. No entanto, agora é a China, novamente ela, quem assusta países como o Brasil, após a valorização do dólar, que tanto ajuda como prejudica o nosso país. Acontece que a desaceleração da Ásia, em especial da China, derrubou o clima econômico dos países da América Latina entre abril e julho. A reversão de expectativas no Brasil também puxou a região para baixo. O freio no crescimento chinês e seus efeitos nos preços das commodities – principalmente metálicas – afetou diretamente o humor da América Latina, em que muitos países têm forte dependência das exportações desses produtos.

Fatores como a preocupação com a inflação, o câmbio, a piora das contas externas e as contínuas previsões para baixo das projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano compõem um cenário econômico desfavorável e explicam a rápida deterioração do clima no Brasil, com o início do encolhimento dos países do Brics. Para a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o efeito do câmbio na recuperação da indústria deve levar seis meses. A desvalorização do real, que trouxe a moeda brasileira a um patamar em torno de R$ 2,30 por dólar, auxiliará na retomada da indústria. No entanto, essa recuperação deve começar a ser sentida efetivamente apenas no ano que vem. Mas há um lado bom e outro ruim nesse movimento cambial para a economia nacional. O positivo é a melhora no preço dos produtos brasileiros negociados no mercado global. Já o impacto negativo de um dólar mais valorizado é transmitido à indústria local pelo aumento no valor dos produtos que chegam ao País, como insumos. Ainda assim, o lado positivo prepondera sobre o negativo.

Há muitos anos, uma frase popular no País era “Exportar é o que importa”, um alerta para a corrente de duas mãos que facilitaria a inserção do Brasil no comércio internacional. Pois ela continua bem atual. É que a balança comercial brasileira teve o pior semestre em 18 anos. De janeiro a junho, o País comprou US$ 3 bilhões a mais em mercadorias do que vendeu ao exterior. O déficit não era visto na primeira metade do ano no Brasil desde 2001 e é, em parte, explicado por uma questão contábil envolvendo a Petrobras. Outra parte da responsabilidade pela cifra negativa foi atribuída pelo governo ao esfriamento do comércio exterior por causa da crise internacional. Apesar do saldo negativo nos primeiros seis meses do ano, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por meio dos seus técnicos, ainda está otimista para o resultado anual. Admite até que o saldo será bastante inferior ao superávit de US$ 19,4 bilhões do ano passado, mas ainda com resultado positivo. Ao longo do primeiro semestre, o resultado comercial foi penalizado pela contabilização das importações de petróleo pela Petrobras ainda relativas a 2012. O registro fora de hora foi responsável por nada menos que US$ 4,6 bilhões de janeiro a maio. Se for desconsiderada a variável, as exportações no primeiro semestre seriam as melhores para o período, uma vez que a conta do petróleo tem peso inegável para a balança.

Fonte: Jornal do Comércio |

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