Chalita diz que seguiu PMDB no Código Florestal

Pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, o deputado federal Gabriel Chalita justificou ontem o voto a favor da versão ruralista do novo Código Florestal como uma "posição do partido". "Discordo de algumas coisas lá [no projeto], mas o PMDB fechou questão. Sequer manifestei minha posição, foi por votação simbólica", disse o parlamentar, depois de debater na noite de ontem alternativas para o meio ambiente da cidade de São Paulo com o ex-deputado e ambientalista Fábio Feldmann, sem partido desde que deixou o PV.

Chalita disse desconhecer que três colegas seus votaram contra a proposta, apesar da orientação da legenda para aprová-la. Ele afirmou que debateu internamente com o PMDB para tentar alterar trechos do projeto, mas entende outros trechos, como deixar de fora da obrigação de replantio de áreas desmatadas os terrenos usados para agricultura familiar.

O pemedebista comentou que a diminuição da área de preservação na margem de rios, que teve o tamanho reduzido de 30 metros para 15 metros no caso de rios com até dez metros de largura, pode ser regulamentado pelo município. "O código deixou muito abertas as regras para as cidades. São Paulo fará a sua regulamentação", disse. Ambientalistas afirmam que a redução aumentará a área impermeável, facilitando inundações.

Embora não declare apoio à candidatura de Chalita, Feldman evitou criticar o amigo pelo voto. "Fui deputado por três legislaturas. Sei que quando a votação é por liderança, é muito difícil o parlamentar não seguir o partido", comentou o ambientalista, que foi deputado constituinte pelo MDB, partido que antecedeu o PMDB. "Lamento muito a posição do PMDB. Foi a posição do atraso, [o partido] foi o grande responsável pela derrota que tivemos", afirmou.

Feldmann, ex-PSDB, revelou que ligou para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas não conseguiu mudar a posição dos tucanos, favoráveis à versão ruralista do texto. Para o ex-deputado, o movimento ambientalista está enfraquecido, depois "de duas derrotas acachapantes na Câmara" e precisa se reavaliar. "A nossa candidata [Marina Silva, ex-PV] teve 20 milhões de votos na eleição, mas isso não mudou nada no Congresso", disse.

Fonte: Valor |

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