Cevada e canola para aquecer a safra do frio

Aposta de produtores do norte do Estado, cereais terão áreas até 30% maiores

A safra de inverno se tornou a principal aposta para recuperar as perdas do verão. E diante do fortalecimento da indústria, com a crescente demanda da BSBios e da nova maltaria da Ambev, canola e cevada despontam como vedetes da estação.
Neste ano, a canola ocupará 70 hectares, 40% a mais do que no ano passado, na lavoura de Marcelo Venzon, em Passo Fundo. O futuro da produção está traçado: venda integral para a BSBios. Como a canola tem preço semelhante ao da soja, o sorriso vem fácil enquanto as primeiras plantas começam a nascer.
– O preço bom motiva, ainda mais com venda garantida – observa.
De olho no processamento da canola, a BSBios reforçou a política comercial e aumentou o suporte técnico para qualificar a produção no Norte. Ao driblar a resistência a um manejo que requer cuidados especiais, a indústria espera que a canola deixe de ser vista como alternativa para se consolidar como ciclo regular. A receita vem dando certo: a previsão da Emater é de que a área cultivada cresça 30%.
A Ambev também incentiva o plantio no ciclo de inverno, mas com foco na cevada. Com início das operações previsto para o segundo semestre, a nova maltaria da empresa processará 110 mil toneladas de malte por ano.
– Estimamos um aumento entre 18% e 20% na produção – afirma Marcelo Otto, diretor agroindustrial da Ambev.
Animado com a perspectiva de valorização da cevada, o agricultor Francisco Anesi, 58 anos, de Marau, no Norte, retomou o cultivo após oito anos. Plantará 20 hectares com a esperança de garantir mais renda, depois de uma safra de soja ruim, com quebra de 40%.
O engenheiro agrônomo da Emater em Passo Fundo Cláudio Dóro reitera que o trigo segue em alta, mas aponta o bom retrospecto nas safras e a valorização industrial como motivos para o avanço da canola e da cevada:
–A liquidez atrai o produtor.
leandro.becker@zerohora.com.br

LEANDRO BECKER | PASSO FUNDO

Fonte: Zero Hora

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