Ceva aposta em crescimento no país

Para competir em condições de igualdade com as principais indústrias veterinárias instaladas no Brasil, a multinacional francesa Ceva Santé Animale precisava ampliar as operações e, não menos relevante, a equipe de vendas da companhia.

Em linhas gerais, essa foi a avaliação que justificou as aquisições das mineiras Hertape e Inova Biotecnologia – joint venture entre Hertape e Eurofarma -, anunciadas na última semana pela Ceva. O valor do negócio não foi revelado. A expectativa da empresa é que as aquisições sejam aprovadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no início de 2017.

"Separadas, as companhias não conseguiam ter a estrutura capaz de enfrentar as empresas que estão no topo do ranking", disse ao Valor o presidente da Ceva Brasil, Fernando Luiz de Mori.

Segundo ele, a união da Ceva com a Hertape dá musculatura para a empresa no país, elevando o faturamento de R$ 160 milhões para R$ 360 milhões, o que fará da multinacional francesa a quinta maior no segmento veterinário no Brasil. "O objetivo inicial é manter a quinta posição, mas queremos galgar posições futuramente", afirmou.

Para Mori, o fortalecimento da equipe comercial é fundamental. Com as aquisições, a equipe comercial da Ceva mais do que dobrará, atingindo 110 funcionários. A companhia francesa não tem intenção de reduzir o quadro de funcionários na área comercial. "Estamos próximos do que acreditamos ser o ideal", acrescentou.

Além disso, o presidente da Ceva também enfatizou o presença regional "complementar" de Hertape e Ceva. Enquanto a primeira está mais presente no Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país, a segunda concentra a atuação nas regiões Sul e Sudeste.

Do ponto de vista produtivo, as aquisições de Hertape e Inova representam o fortalecimento do negócio de bovinos. Segundo o presidente da Ceva no Brasil, a fatia da área de bovinos nas vendas da companhia crescerá de 33% para aproximadamente 50%. Com isso, a Ceva ficará em linha com o mercado veterinário brasileiro, no qual o segmento de representa 54%, destacou o executivo. Principal área de atuação da Ceva até então, o segmento de aves passará a representar 18% das vendas da companhia, ante os atuais 40%.

O executivo admitiu que o momento delicado do segmento de vacinas contra a febre aftosa devido à sobrecapacidade do parque industrial estimula a compra de companhias brasileiras por multinacionais. Atualmente, a demanda anual é de 350 milhões de doses de vacinas, mas a capacidade das fábricas no país supera 500 milhões de doses.

"Infelizmente, as vacinas contra aftosa estão com preço muito baixo e elas [as empresas brasileiras] não conseguem viabilizar o pagamento dos investimentos", disse Mori.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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