Certificados de recebíveis na BM&FBovespa

Considerado por bancos e especialistas como um dos títulos capazes de efetivamente ampliar a atração de recursos para financiar a produção agrícola brasileira, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) serão alvo de uma inédita oferta pública para investidores pessoas físicas que será realizada na quinta-feira na BM&FBovespa.

Fruto de uma parceria entre as empresas Syngenta, Bunge e Octante e estruturada por mais de dois anos, esta primeira emissão de CRAs para investidores qualificados teve valor unitário, em sua primeira série, de pelo menos R$ 300 mil. Segundo as companhias, a demanda superou a oferta em 150% e o montante total chegou a R$ 85,5 milhões de CRAs Sênior, que serão negociados no mercado secundário da BM&FBovespa.

De acordo com David Marco Telio, gerente de estruturações financeiras da Syngenta no Brasil, a oferta foi suficiente para atrair 211 investidores qualificados pessoas físicas – "não há nenhum banco nessa lista" – com distintos perfis, desde gente ligada ao próprio setor de agronegócios até profissionais liberais como médicos e advogados. A distribuição dos papéis aos investidores ficou a cargo da XP Investimentos.

Os CRAs são lastreados em operações de "barter" – troca de insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) pela colheita futura – que ajudaram a custear a próxima safra de 194 pequenos e médios produtores de soja dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O volume total de grãos envolvidos na operação chega a 2,5 milhões de sacas de 60 quilos, que ficarão com a Bunge.

Quatro empresas distribuidoras de insumos da Syngenta (Fiagril, Sinagro, Agrocat e Agrícola Panorama) emitiram Certificados de direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) lastreados por 120% de recebíveis de operações de barter. São eles, que estão cobertos por seguro de crédito (a apólice foi emitida pela Chartis Europe Limited), que lastreiam os CRAs emitidos pela securitizadora (Octante) que serão negociados a partir de amanhã.

Ainda conforme as empresas, a liquidação dos CRAs ocorreu no início de agosto. Para agilizar a operação, a Bunge adquiriu os CRAs Subordinados de 5% correspondentes a R$ 4,5 milhões, os primeiros da fila de liquidações.

"Trata-se de uma operação importante em nossa estratégia de apoio ao setor agrícola brasileiro", disse Marcelo Lessa, diretor financeiro da Bunge Brasil. Para as operações de "barter" fomentadas pela Syngenta, que atua nos mercados de sementes e defensivos, a Bunge entrou com fertilizantes para permitir o oferecimento de um pacote completo aos agricultores envolvidos.

Também conforme as empresas, a aplicação dos investidores dos CRAs Sênior, de dois anos, remunera 109% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), é isenta de Imposto de Renda, segundo a Lei 11.311, de 2006, e obteve classificação de risco "AAA" da Fitch Ratings.

Antes restritas ao mundo privado, operações como essa podem envolver outros produtos agrícolas. Recentemente, a empresa Ecoagro estruturou uma operação privada envolvendo produtores de cana, e nada impede que venha a ser costurada, por exemplo, uma oferta pública de CRAs lastreada nos canaviais.

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Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo

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