Cerrado tem quantidade ínfima de novas áreas disponíveis para plantio

Estudo da Abramilho mostra que há apenas 7 milhões de hectares à disposição; solução é o crescimento da tecnologia no campo

por Alana Fraga

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Com base nos atuais índices de produtividade de lavouras de milho de produção comercial, as novas áreas poderiam aumentar em quase 50% a produção do cereal no Brasil

A disponibilidade de áreas agricultáveis no cerrado brasileiro que ainda podem ser abertas para o plantio de milho limita-se a sete milhões de hectares, o que é considerado ínfimo diante do potencial de crescimento da produção agrícola do país nos últimos anos. A conclusão é do estudo do Programa de Desenvolvimento da Cadeia do Milho, encabeçado pela Associação Brasileira de produtores de Milho (Abramilho) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB), com o propósito de debater os pontos para melhorar a produção e a produtividade do cereal no cerrado do Brasil.
De autoria do pesquisador da Abramilho, Antônio Lício, o estudo mapeou as áreas do bioma brasileiro aptos para o plantio de milho: levando em consideração aspectos como solos próprios, índices de precipitações compatíveis aos ciclos dos grãos e declividade inferior a 12° para lavouras mecanizadas. “A fronteira agrícola brasileira se exauriu naturalmente, acabou porque a agronomia não permite. Não contem com áreas novas para a produção agrícola no Brasil. Apenas 21% do território brasileiro é agrícola. O Brasil é pequeno”.
Segundo os cálculos, dos 103 milhões de hectares que já estão ocupados no cerrado, 68 milhões estão com pecuária, 25 milhões com lavouras de primeira safra; outros três a quatro milhões de hectares solos não aptos e mais um a dois milhões de áreas que estão incrustados em áreas que não se viabilizam para a agricultura mecanizada. Lício lembra que, de 2010 para 2012, foram incorporados mais de três milhões de hectares, cerca de 1,5 milhão a 2 milhões de hectares por ano.  “Ou seja, o que restou é nada perante os 103 milhões de hectares que já estão ocupados no cerrado. Está praticamente exaurido”, afirma.
Para o presidente da Abramilho e ex-ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, é fundamental revitalizar a extensão rural no Brasil e utilizar o máximo de tecnologia para o melhor aproveitamento da área. “Nós temos hoje uma área pequena que vai depender muito de crescimento de tecnologia para que a gente possa utilizá-la. Porque acabar com a pecuária o Brasil não deve. E a área vai crescer em cima da pecuária. O mais importante é levar a tecnologia a um número maior de produtores, especialmente o médio. O caminho tem que ser de uma extensão que seja coordenadora, com gente de alta capacidade e que faça o principal; trace o rumo e chame toda a iniciativa privada”, diz.

Com base nos atuais índices de produtividade de lavouras de milho de produção comercial, que gira em torno de 5 mil kg por hectare, as novas áreas poderiam aumentar em quase 50% a produção do cereal no Brasil – seriam acrescidos 35 milhões de toneladas de milho. A estimativa da Conab para as safras consolidades do ciclo 2011/2012 demonstra um volume de 72,73 milhões de toneladas produzidas.
Para Paulinelli, o cálculo pode levar a números ainda maiores com a ajuda da tecnologia, considerando que o índice médio de produtividade ainda é muito baixo. "Mas esse índice vai subir. Se depender do tempo, a produtividade vai subir muito, podendo chegar a pelo menos 5,5 mil toneladas por hectare (já na próxima safra)", estima.

Fonte: Globo Rural

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