Cereal fecha julho com preço médio 13% maior que em junho em Chicago

Mesmo que os preços do milho tenham refletido com mais intensidade, em julho, os efeitos "altistas" provocados pelas chuvas que atrapalharam o plantio no Meio-Oeste americano em junho, as cotações de soja e trigo também registraram valorizações expressivas na bolsa de Chicago em decorrência das intempéries, embora o dólar forte continue a servir de barreira para voos mais altos.

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) apontam que, depois do milho, cuja alta chega a 12,59%, o grão que mais sobe em julho em Chicago em relação a junho é o trigo (5,72%), seguido pela soja (5,16%). As médias da soja e do trigo caem em relação a julho de 2014 (14,43% e 0,28%, respectivamente). Já o milho registra alta de 8,71% (o balanço foi fechado no dia 30) na mesma comparação.

A demanda aquecida por grãos americanos também serve de apoio aos preços. E como sempre acontece em caso de incertezas climáticas, as oscilações de julho são maximizadas por movimentos especulativos – que certamente agirão na contramão caso fique claro que não haverá grandes quebras de safra nos EUA, apesar dos problemas provocados pelas recentes precipitações fora de hora. Relatório divulgado em 24 de julho pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) revelou que os gestores de recursos ("managed money") encerraram a semana do dia 21 com uma posição líquida comprada – indicativo de uma expectativa de avanço das cotações – 38% superior à da semana anterior.

Como adiantou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o aumento da posição líquida comprada foi de 6% na comparação. No mercado de trigo, contudo, os gestores de recursos tiraram o pé na semana até o dia 21, o que pode significar uma desidratação mais veloz das cotações após os picos deste mês – como no milho, sua média é a maior desde junho de 2014. De qualquer forma, os valores de fechamento de ontem de milho, trigo e soja em Chicago já são entre 5% e 10% mais baixos que as médias alcançadas no mês, em decorrência da redução das chuvas no Meio-Oeste.

Na bolsa de Nova York, açúcar e café continuam guiados pelas informações acerca das respectivas ofertas no Brasil e, em meio a muita volatilidade. O primeiro fecha o mês com média 9,08% superior à de junho e o café recua 5,47%, mesmo que o dólar forte tenha funcionado como um importante colchão nas primeiras semanas do mês. Mas nos dois casos, os fechamentos de ontem já indicam patamares mais baixos de negociações. No mercado nova-iorquino, cacau e suco de laranja também fecham o mês com médias mais elevadas, e o algodão cai.

Por Mariana Caetano, Fernanda Pressinott e Fernando Lopes | De São Paulo
Fonte : Valor

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