CEO da companhia ganha fôlego em meio à tempestade

Desgastado com as fundações Petros e Previ, o CEO da BRF, José Aurélio Drummond, ganhou fôlego nos últimos dias. A avaliação de fontes que até a semana passada criticavam o comportamento do executivo, que foi eleito ao cargo em novembro com o voto de qualidade de Abilio Diniz, é que a Operação Carne Fraca exige união para a empresa se recompor do baque.

Nesse cenário, a participação do CEO da BRF na audiência de terça-feira com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, foi muito elogiada. No olho do furacão depois das suspeitas em fraudes nos testes laboratoriais da bactéria salmonela, Drummond conseguiu colher elogios públicos à empresa, lembrou uma fonte ouvida pelo Valor.

Por duas vezes, na terça-feira e também ontem, o ministro disse que a BRF fez a "lição de casa" ao longo do ano passado. "Tenho até dó da empresa, porque ela ficou sob nosso holofote, nosso radar, passamos a fiscalizar a empresa com muita frequência. E eles de fato fizeram a lição de casa, e hoje estão num patamar diferenciado das demais", disse o ministro ontem.

Como prova de que a BRF melhorou, Blairo também ressaltou que os casos de fraude investigados pela Operação Trapaça ocorreram antes de março de 2017, quando houve a primeira fase da Operação Carne Fraca. Desde então, a BRF aprimorou a qualidade dos processos.

Também chamou atenção o fato de Drummond ter sido acompanhado, na reunião com Blairo, do ex-ministro Luiz Fernando Furlan, que é conselheiro da BRF e membro da família fundadora da Sadia.

O ex-ministro faz parte da chapa apresentada pelos fundos de pensão e votou contra a indicação de Drummond para o cargo. Em 26 de abril, uma assembleia extraordinária de acionistas da BRF votará o pedido dos fundos para destituir o atual conselho, comandado por Abilio e do qual o próprio Drummond faz parte – aliás, o fato de o executivo ter seguido no conselho mesmo após assumir como CEO foi motivo de discórdia.

Embora a permanência de Drummond ainda seja vista como incerta em caso de troca do conselho de administração, os elogios no mínimo abrem espaço para ele se reabilitar e, mais importante, navegar em meio à tempestade provocada pela Operação Carne Fraca.

Na área financeira, os bancos já estão segurando a renovação de créditos da empresa (ver Grandes bancos encaram BRF com cautela), o que certamente aumenta os desafios do executivo. Na área operacional, a companhia segue com as exportações de três frigoríficos suspensas.

Fonte : Valor

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