Cenário favorável eleva demanda por crédito rural

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Peroba, do BNDES: "Perspectivas de demanda de crédito são favoráveis"

Maior banco de financiamento a investimentos no campo, o BNDES conta com R$ 22,1 bilhões para o ano safra 2018/2019, sendo R$ 18,8 bilhões para agricultura empresarial e R$ 3,34 bilhões para agricultura familiar. Aí estão incluídos cerca de R$ 900 milhões para custeio do Pronaf, por meio do sistema Cresol.

O valor a ser aplicado pelo BNDES corresponde a 50% do total de crédito direcionado a investimentos no Plano Agrícola e Pecuário (PAP), anunciado pelo governo federal. Cerca de R$ 15 bilhões serão destinados a programas com equalização de taxas de juros pelo Tesouro Nacional.

"As perspectivas de demanda de crédito são muito favoráveis", afirma Tiago Peroba, chefe do departamento de clientes e relacionamento institucional do BNDES, traduzindo o sentimento de fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas, com os quais o banco se relaciona.

Ele observa que mal começou o ano safra e programas, como o Prodecoop, destinado a investimentos de cooperativas agrícolas, já esgotaram o orçamento. Em apenas dois meses, o Prodecoop, com juros fixos de 7% ao ano, utilizou o total orçado de R$ 750 milhões e o BNDES pleiteia mais recursos junto ao governo federal. "A demanda foi recorde, com alta de 180% em julho/agosto último", diz Peroba.

Também o Pronaf, voltado à agricultura familiar, "tem desempenho nunca antes visto", destaca ele. As aprovações, de R$ 800 milhões, com 22 mil operações nos últimos dois meses, cresceram 60% na comparação com igual período de 2017.

O mesmo ocorre no Moderfrota (aquisição de máquinas e equipamentos), com orçamento de R$ 7,15 bilhões e taxas de 7,5% a 9,5% ao ano. Os financiamentos somaram quase R$ 2 bilhões em julho/agosto, mais 22%.

Para o executivo do BNDES, o comportamento deve-se a taxas de juros mais competitivas; retomada de investimentos postergados no ano passado; e medidas adotadas pelo banco de simplificação e agilização do crédito. "Hoje, todas as operações da agropecuária rodam no BNDES online, plataforma digital que permite aprovar em poucos segundos o financiamento", afirma Peroba.

Também o Banco do Brasil, com cerca de 60% do mercado de crédito rural, segue com demanda firme. Segundo o diretor de agronegócio, Marco Túlio Moraes da Costa, o banco desembolsou R$ 21 bilhões nos dois primeiros meses do novo ano agrícola, valor 30% maior que igual período anterior. Desse total, R$ 12 bilhões foram para custeio. O BB conta com R$ 103 bilhões para a safra 2018/19, 21% superior ao destinado no ano passado.

Para Costa, a conjuntura é favorável. O câmbio elevado estimula exportações e contratos no mercado futuro têm sido fechados com o dólar a R$ 4,24, protegendo a comercialização no ano que vem.

Responsável por 54% do crédito rural na região, o Banco do Nordeste (BNB) destinou R$ 8 bilhões à atual safra, valor 25% maior que os R$ 6,4 bilhões de 2017/2018, segundo o superintendente de agronegócio, Luiz Sergio Farias Machado. Até meados de setembro, o BNB contratou R$ 1,75 bilhão.

"A demanda está muito boa", diz Machado, observando o ritmo favorável de chuvas, queda de juros dos financiamentos, alta do dólar que incentiva exportações, além da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que, em sua opinião, deverá incrementar vendas brasileiras de grãos para o mercado chinês.

Entre os bancos privados, o Bradesco, com 26,6% do mercado de crédito rural, ampliou em 22% a captação de negócios nas oito principais feiras agropecuárias realizadas este ano, conta o diretor de empréstimos e financiamentos do banco, Leandro Diniz. Isso representa R$ 4 bilhões em novas operações. "Mesmo diante da expectativa de uma safra menor que a recorde anterior, a produção será muito boa, com perspectiva de preços melhores", diz ele.

Carlos Aguiar Neto, diretor de agronegócio do Santander, concorda que os atuais preços mantêm a agricultura competitiva. "Impulsiona o agricultor estar já na quinta safra boa", avalia ele. A carteira de crédito rural do banco espanhol deverá atingir R$ 17 bilhões este ano, 30% maior que o registrado no ano passado. "Em julho/agosto último, os desembolsos cresceram 25%. O resultado não surpreende, somos um entrante agressivo neste mercado", ressalta Neto.

Da mesma forma, o diretor de crédito do Sicredi, Gustavo Freitas, trabalha com a expectativa de ampliar desembolsos para R$ 16,1 bilhões, acima dos R$ 14,2 bilhões do período anterior. Neste início de plantio, o banco de crédito cooperativo liberou R$ 4,5 bilhões, alta de 15,5% sobre os valores de julho/agosto de 2017. Freitas observa patamares de juros e de preços agrícolas mais competitivos este ano. Mas alerta para incertezas decorrentes da volatilidade cambial.

Por Livia Ferrari | Para o Valor, do Rio

Fonte : Valor