Cenário de incerteza para mercado global de etanol

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Segundo Cunha, importação dos EUA pode pressionar etanol no Nordeste

Se a existência de mais um superávit global de açúcar para a safra 2013/14 já é dada como certa, o cenário no mercado de etanol no mundo ainda é um poço de incertezas. A sinalização de redução de metas de uso de biocombustíveis na Europa e nos Estados Unidos tornam as exportações brasileiras para 2014 uma incógnita. Neste fim do período de moagem, também assombra as usinas no país a abertura de uma "janela" para importação de etanol americano, agora mais barato, dada a grande safra de milho naquele país.

Em fevereiro, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) deve divulgar sua posição sobre os mandatos de biocombustíveis para 2014, mas a sinalização até agora é de redução, diz o CEO da produtora de biocombustíveis americana Prime Biosolutions, David Halberg. O impacto para o Brasil seria uma perda de mercado de 1 bilhão de litros, estima o setor. Os EUA são o destino de mais de 70% das exportações brasileiras de etanol.

Halberg diz que existia uma visão errada de que o mandato de etanol nos EUA havia sido escrito "em pedra". "As metas estabelecidas nunca foram garantias, e agora a EPA deu fortes indicações de que está considerando uma redução substancial das metas", afirmou Halberg em conferência da consultoria Datagro, em São Paulo.

Doug Newman, analista sênior da Comissão Internacional de Comércio dos EUA, uma agência independente com sede em Washington, diz que um cenário também possível é a EPA direcionar para o etanol de cana, a cota de etanol celulósico, da ordem de 760 milhões de galões (2,8 bilhões de litros). "Em quatro anos, o etanol celulósico não se materializou. Da cota disponível, nem 10% foram cumpridos", afirma Newman.

Há ainda, diz, a possibilidade de o governo americano anunciar em fevereiro a substituição de aditivos de octanagem (usados para melhorar a qualidade da gasolina) por etanol de cana. "Esses aditivos representam de 5% a 30% do galão de gasolina. A indústria automobilística nos EUA está se convencendo da vantagem do uso do etanol como aditivo. Isso pode trazer um grande impacto positivo ao mercado de etanol", afirma.

Apesar de possíveis, os cenários positivos são pouco críveis, segundo o setor. Em meio às incertezas, a importação de etanol dos EUA preocupa, sobretudo no Nordeste. A estimativa é de que já estejam contratados cerca de 300 milhões de litros de etanol americano para o Nordeste. "Isso é um desestímulo à produção nordestina, cuja safra está em andamento. Isso vai pressionar para baixo os preços do produto no mercado local", diz o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar de Pernambuco, Renato Cunha.

Traders estimam que neste momento importar etanol anidro dos EUA custe US$ 530 por metro cúbico (sem considerar impostos e taxas portuárias). O valor é bem menor que o do anidro no Brasil que, se convertido para exportação, é de US$ 680 por metro cúbico.

As exportações do Brasil aos EUA foram fortes nos primeiros oito meses do ano, mas arrefecem com uma grande oferta de etanol americano. A previsão do mercado é de que o Brasil exportará 2,5 bilhões de litros neste ciclo 2013/14, sendo que 1,9 bilhão de litros já entraram no país.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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