Código Florestal não gera estímulo à produção de florestas, diz diretor de planejamento da Presidência

Fonte: CANAL RURAL | João Henrique Bosco | São Paulo (SP)

Em encontro realizado pela Cosag, Arnaldo Carneiro falou também sobre pesquisas que apontam propostas para evitar desperdício de terras na agricultura

O Conselho Superior do Agronegócio, (Cosag), realizou nesta segunda, dia 1º, em São Paulo, um encontro reunindo líderes do agronegócio. Durante o evento, o diretor de planejamento da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Arnaldo Carneiro, falou sobre as pesquisas que apontam propostas para evitar o desperdício de terras na agricultura, além de mostrar uma nova visão sobre o Código Florestal brasileiro.

Arnaldo Carneiro fez uma pesquisa sobre o rearranjo produtivo da agropecuária brasileira. Segundo ele, o setor passa por um aumento do número de animais confinados, o que acaba disponibilizando terras já abertas e com baixa produtividade. Ele aponta as culturas que podem ocupar estas áreas como cana-de-açúcar, grãos e plantio de florestas.

Carneiro propõe um novo modelo de produção, não baseado em leis, mas em negócios. Questionado sobre o papel do novo Código Florestal, ele afirma é possível preservar gerando receita.

– O Código é um bom exemplo de um exemplo normativo, fazendo com que nossos agricultores sejam conservacionistas, mantendo parte do território sob proteção. Mas o vazio do Código é que ele não tem nada muito proativo, não gera negócios. Ele gera legalidade, mas nenhum estímulo à produção de florestas. O Código não pode ter vida longa se não existir uma boa economia florestal, boa economia verde que gere negócios com florestas. A reserva, a APP, deixa de ser um entrave para ser uma oportunidade de negócio. Estamos trabalhando com as duas vias, um olho no Código, outro nas oportunidades, no território, na expansão da floresta – disse Arnaldo Carneiro.

Vontade política é o que o setor espera dos senadores. Com o fim do recesso e a volta ao trabalho, as atenções no segundo semestre se voltam para o Congresso. A Secretária Estadual da Agricultura de São Paulo, Mônica Bergamaschi, ressalta a importância de garantir a segurança jurídica no campo.

– Eu espero que a discussão seja bastante elucidativa e que todos os senadores tenham a convicção de tudo que contém o texto e da importância que isto tem para a agropecuária nacional. O que o produtor mais precisa e quer é ver logo esta situação resolvida, a fim de que haja segurança jurídica para tomar as medidas que forem necessárias e cabíveis para mais investimentos, desenvolver, crescer, e fazer o agronegócio ocupar a posição que merece para seguir produzindo e fazer este país crescer – observou Mônica Bergamaschi.

O ex-ministro da Agricultura, Luiz Carlos Guedes Pinto, acredita em mudanças mínimas e na aprovação do Código pelo Senado.

– A minha expectativa é que avancemos e cheguemos finalmente à aprovação, e que se façam os ajustes necessários. Eu sei que é uma grande preocupação dos senadores, porque está havendo uma reunião em São Paulo com especialistas, e o propósito é alcançar uma conciliação entre os diferentes pontos de vista mais significativos. Daqueles segmentos vinculados à questão ambiental e os vinculados à questão agropecuária. Eu acho isto possível, acho que é um desafio, mas o Brasil, face à dimensão que tem no mundo – maior área  florestal preservado -, tem que dar exemplo. É possível, desde que a discussão deixe o plano emocional e busque uma saída racional que atenda os interesses de todas as partes envolvidas neste debate – concluiu Luiz Carlos Guedes Pinto.

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