Código Florestal: Emater dá suporte a produtores

Projeto Biomas ajuda a preservar espécies nativas do Cerrado nas áreas de reserva legal

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Goiás (Emater-GO) desenvolve experimento do Projeto Biomas – Componente Cerrado. O experimento é um sistema agroflorestal, que utiliza cinco espécies de fruteiras nativas do Cerrado em consórcio com mandioca.

Segundo a engenheira agrônoma Eloísa H. Longhi, com mestrado em Ciências Agrárias/Agronegócios e pesquisadora da Emater-GO, a iniciativa pretende desenvolver tecnologia para recuperar áreas de Reserva Legal, visando subsidiar as discussões pertinentes ao novo Código Florestal Brasileiro.

Eloísa observa que o projeto leva em consideração os aspectos econômicos, além dos ambientais e legais, pois entende que o produtor rural necessita obter algum tipo de renda nas áreas de reserva legal, como forma de motivar sua recomposição e cumprir a Legislação, mesmo porque imobilizou recursos nesta fatia de terra.

Na Fazenda Entre Rios, localizada no Distrito Federal, estão sendo instalados 20 experimentos do Projeto Biomas Cerrado. Na propriedade é concedida atenção especial às mudas das espécies nativas e exóticas. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) financia a iniciativa através do Subprojeto CE 12, aprovado em 2011. Se a CNA fornece os recursos financeiros da ordem de R$ 80 mil, a operacionalização é desenvolvida pela Embrapa Cerrados com o apoio da Ecodata.

No experimento da Entre Rios, a execução cabe à Emater de Goiás, por intermédio da equipe composta pelos técnicos Lino C. Borges, Eloísa H. Longhi, Leo Lince do Carmo, Luciene Ribeiro, Laureano M. Vargas, Benedito R. de Sene, Geogerton do Carmo e o estagiário Lucas L. Borges.

A longa discussão no Congresso Nacional, a aprovação pela Câmara Federal e o consequente veto da presidenta Dilma Rousseff em alguns itens do novo Código Florestal ampliaram a dúvida nos produtores. O certo é que a reserva legal deve ser mantida e, ou, recomposta e para isso os produtores, com ênfase para os pequenos, contarão com o apoio da Emater. A Legislação é clara: 20% da propriedade é destinada à área a ser preservada, mantendo a vegetação nativa ou então recompondo-a, caso tenha sido extinta.

As espécies nativas estão no contexto do Projeto Biomas. Por sinal, são seis os biomas brasileiros: Pampa, no Sul; Mata Atlântica, no litoral de parte do Sudeste; Cerrado, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, parte da Bahia, Tocantins; Pantanal, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso; Amazônia, Norte; e Caatinga, Nordeste.

No caso de Goiás, a Emater, com o apoio da Embrapa e da Ecodata, desenvolve ações no Projeto Biomas. Eloísa Longhi assinala que o interesse das instituições oficiais é o de desenvolver o sistema agroflorestal com um plano de manejo, fomentando a renda dos produtores e seus familiares, ao mesmo tempo, que cumprem a lei. No sistema agroflorestal, a pesquisa optou pela mandioca como cultivo anual pelo manejo simples e fácil comercialização do produto, além da gama de subprodutos como farinhas, entre outros. A procura por frutas nativas, onde se situa a mangaba, por exemplo, é crescente, mas Eloísa, também uma produtora no Tocantins, vê ainda dificuldades para o produtor. Há pela frente um longo caminho para a organização deste mercado, ainda bastante informal, às negociações com os compradores, habitualmente difíceis, as estruturas de colheita, pós-colheita e o transporte são caras e também a mão de obra nas propriedades é escassa.

O viveiro da Embrapa Cerrados, em Brasília, foi escolhido para apoiar na produção das mudas para o Projeto Biomas na Região do Cerrado. A atenção especial é dada às mudas das espécies nativas. A demanda pelas plantas típicas desse bioma tem crescido bastante nos últimos anos, mas a falta de conhecimento e a indisponibilidade de sementes dificulta a produção nos viveiros comerciais existentes. O sucesso no desenvolvimento das mudas e no processamento das sementes para a germinação é essencial para o resgate e preservação das diferentes paisagens do Bioma Cerrado, o processo é minucioso e deve ser esclarecido para quem quer ajudar no trabalho de recuperação do Cerrado.

O trabalho começa com o planejamento. Viveiros menores, de duração limitada, podem ser instalados mesmo à sombra de uma árvore no fundo do quintal. Os de grande produção devem ter construídos com material resistente e com o local de implantação preparado previamente. “É necessária a boa orientação solar, além de solo com boa drenagem, inclinação para evitar o acúmulo de água e proximidade com uma fonte limpa e permanente de água para irrigação em qualquer época”, diz José Felipe Ribeiro, doutor em Ecologia e o coordenador do Projeto Biomas Cerrado.

Fonte: DIÁRIO DA MANHÃ WANDEL SEIXAS