Cautela dificulta escolha para Meio Ambiente

Insatisfeito com o perfil dos candidatos a ministro do Meio Ambiente e em meio a divergências dentro da equipe de transição em torno do tema, o presidente eleito Jair Bolsonaro ainda está em busca de um nome para o posto. Bolsonaro também teme que haja forte reação negativa internacional de ONGs e ambientalistas ao escolhido para o posto, por isso, a cautela, diz um interlocutor.

Um nome que passou a ser cogitado no entorno de Bolsonaro é o do doutor em metereologia, Ricardo Felício, professor de geografia da USP. Candidato derrotado a deputado federal em São Paulo pelo PSL, Felício também é conhecido por ser crítico ferrenho do aquecimento global, que chama de "farsa".

De perfil acadêmico e frequentador de programas de TV, Felício foi grande apoiador da campanha de Bolsonaro e mantém um canal no YouTube, em que tenta desmistificar polêmicas ambientais como o fim da camada de ozônio. Recentemente gravou um vídeo criticando a falta de rigor científico das conferências mundiais de clima (COP), que entende serem apenas pretexto de seus palestrantes para viagens a turismo.

Outros nomes ainda avaliados são o do superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Silva Saraiva, e o do procurador da República aposentado, Paulo de Bessa Antunes, advogado especializado em direito ambiental. Em novembro, 159 advogados da área assinaram carta de apoio a Bessa.

Depois que o pesquisador da Embrapa, Evaristo de Miranda, que era a primeira escolha de Bolsonaro e tinha grande apoio da bancada ruralista, declinou do convite, a preferência passou a ser pelo advogado Ricardo Salles, ex-secretário estadual de São Paulo na gestão Geraldo Alckmin. Salles converge com o pensamento do futuro governo, sendo grande crítico de convênios com ONGs e defensor de um licenciamento ambiental simplificado e do embate à chamada "indústria das multas ambientais".

Segundo o Valor apurou, as diversas manifestações de apoio a Salles por entidades de classe empresarial do setor agropecuário nos últimos dias teriam incomodado Bolsonaro. Salles conta com amplo apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e da futura ministra da Agricultura, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS).

A indefinição também guarda relação com divergências internas. Há dois grupos antagônicos sobre meio ambiente na equipe de transição: um liderado por Evaristo de Miranda, que defende pautas alinhadas com as demandas do agronegócio; e outro ligado ao general Oswaldo Ferreira, que concorda com algumas linhas de trabalho das atuais gestões de órgãos ambientais de governo.

    Por Cristiano Zaia | De Brasília

    Fonte : Valor