Cautela com demanda por suíno em SC

A indústria de carne suína de Santa Catarina está cautelosa em relação ao comportamento da demanda pelo produto no mercado interno no fim do ano. A expectativa é de alguma reação nas vendas, estimulada pelas festas do período, mas o peso da crise no bolso dos consumidores deve fazer com que eles migrem para cortes de menor valor agregado, diz o diretor executivo do Sindicarne, que reúne as empresas do setor, Ricardo de Gouvêa.

"Existe uma preocupação com a perda de poder de compra dos consumidores", afirma o executivo. Segundo ele, as vendas domésticas estão menores neste ano, e a produção das empresas só consegue se manter estável em relação a 2014 graças ao aumento das exportações. Santa Catarina é o maior produtor e exportador de carne suína do Brasil, com 26,7% e 37% de participação sobre os volumes totais do país em 2014, respectivamente.

De janeiro a agosto, conforme as últimas informações disponíveis por região, o Estado embarcou 108,5 mil toneladas para o exterior, alta de 3,7% ante o mesmo período de 2014. Já as exportações de todo o país avançaram 7,3% na mesma base de comparação, para 290,7 mil toneladas. O levantamento é da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Com a esperada reação do fim de ano, Gouvêa estima uma alta de 5% na produção das indústrias catarinenses no acumulado deste ano, o que se confirmado, representará uma desaceleração em relação ao ano passado. De 2013 para 2014, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o volume produzido pelos frigoríficos locais havia avançado 8,6%, para 926,3 mil toneladas.

Para Gouvêa, a retração do consumo também aperta as margens das indústrias, e uma reação sustentável do mercado doméstico só deve ocorrer para o fim de 2016. Mesmo assim, de olho nessa esperada recuperação, indústrias do setor como JBS, Aurora e Pamplona seguem investindo em aumentos de capacidade no Estado, afirma. Ele não quis fazer projeções sobre o desempenho das exportações neste ano.

Para o presidente da ACCS, Losivanio de Lorenzi, o aumento da demanda interna, que absorve 80% da produção dos frigoríficos catarinenses, deve puxar para cima os preços básicos pagos aos produtores no Estado no quarto trimestre. A expectativa é que o quilo vivo para os integrados alcance R$ 3,50 na média de outubro a dezembro, período que concentra cerca de 35% do consumo anual do produto. No mesmo período de 2014, essa média foi de R$ 3,47, em valores nominais.

Em setembro, a cotação já começou a se recuperar depois de permanecer em R$ 2,83 de maio a agosto, o menor valor do ano. Na sexta-feira, segundo a associação, o preço base oscilava entre R$ 3,10 e R$ 3,20, ainda abaixo dos R$ 3,36 registrados em janeiro, mas o diretor executivo do Sindicarne considera difícil uma recuperação sustentável dos valores pagos pela indústria se não houver uma reação mais consistente do consumo.

O problema, conforme o presidente da ACCS, é que os custos de produção superam os preços ao criador desde maio por conta do efeito cambial sobre os insumos, como soja e milho. No início do ano eles estavam em R$ 3,06 por quilo, depois recuaram para R$ 2,87 em abril, mas chegaram a cerca de R$ 3,35 no mês passado. Lorenzi prefere não fazer projeções para o fim do ano, mas acredita que a relação ainda estará negativa para os produtores.

Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre e Concórdia (SC)
Fonte : Valor

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