Catar apresenta megaprojeto de energia solar na Rio+20

Comércio de flores no país ainda é desafio na produção de comida. Foto: André Naddeo/Terra
Comércio de flores no país ainda é desafio na produção de comida
Foto: André Naddeo/Terra

DRÉ NADDEO

Direto de Doha (Catar)*

O chairman do Programa Nacional de Segurança Alimentar do Catar (Qatar National Food Security Programme, QNFSP), Fahad Bin Mohammed Al-Attiya, qualifica desta forma a importância do país em fazer uso de energia renovável: "para mim é como o homem chegar à lua". Com papel importante no masterplan do ministério do Meio Ambiente de se reinventar via projetos sustentáveis, a energia solar, no entanto, sofre ainda a desigual competição com o gás natural, mais barato, para ser o combustível do processo de dessalinização, já que o país depende da água deparada do sal para sobreviver.

O governo catarense colocou R$ 40 milhões nas mãos da multinacional americana Chevron, a mesma dos acidentes na bacia de Campos, no Rio de Janeiro, para a idealização de um megaprojeto de abastecimento via painéis solares para produzir a energia necessária a fim de atingir o objetivo: três milhões de metros cúbicos diários de água dessalinizada.

E por mais que painéis receptores venham a ocupar os 35.000 m2 da área planejada de sol escaldante, o diretor da Chevron no Catar, Carl Atallah, admite que, por mais que o cronograma aponte para uma produção que abasteça as indústrias de dessalinização em cerca de três anos, o uso do gás não deve sair de cena tão cedo.

"É difícil prever quando estaremos prontos. É uma competição com o gás, mas acaba sendo mais uma questão de vontade política, é mais conveniente o gás por enquanto", afirma Atallah. "Estamos no local mais óbvio para a captação da energia soltar, mas não dá para prever mercado de petróleo e gás por enquanto", completa. Hoje o custo do watt é R$ 1,60

A permanência desta incompatibilidade, em contrapartida, contribui para uma estatística negativa para o Catar. De acordo com o último relatório divulgado no final de maio pelas organizações Global Footprint Network e WWF, o país-península apareceu com a maior pegada ecológica, ou seja, o que causa maior impacto ambiental ao planeta.

A conta realizada pelos órgãos não são unanimidade, mas o fato é que a queima de combustíveis fósseis oriundos, por exemplo, das próprias usinas de dessalinização, ainda favorecem o aquecimento global. Existe ainda a questão do flare, o gás que não é aproveitado na extração por ter baixa qualidade comercial, e é queimado.

O governo afirma que as emissões do Catar correspondem a apenas 0,2% do total mundial, e que 90% dos campos de produção de petróleo e gás já têm sistema de canalização via dutos de até 90 km, que assim evita a queima direta para o meio ambiente. A intenção é obter ainda receitas com os créditos de carbono.

A partir de quarta-feira, no parque dos Atletas, em frente ao Riocentro, um grande estande do Catar estará aberto para mostrar estes e outros projetos deste pequeno, porém moderno e articulado mediador do Oriente Médio. Cerca de 100 membros das organizações de meio ambiente estarão presentes para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, entre eles, o emir Hamad Bin Khalifa Al Thani, e sua primeira dama Sheikka Mozah.

Fonte: Terra