Caso de polícia ‘esvazia’ manifestação na Bahia

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Protesto em Ilhéus, apesar da tragédia: cacauicultores querem soluções para o segmento, como adoção de preço mínimo

Um fato trágico "esvaziou" um protesto de cacauicultores ontem em Ilhéus, na Bahia, contra a importação de cacau a preços mais baixos que os valores praticados no mercado interno. Um corpo em avançado estado de decomposição foi encontrado em uma carga de cacau proveniente de Gana, na África, que aportou na segunda-feira ao porto do município.

Durante o protesto nas imediações do porto, que mesmo assim aconteceu, foi queimado grande volume de cacau trazido pelos produtores, segundo Guilherme Galvão, presidente da Associação dos Produtores de Cacau (APC), uma das entidades organizadoras do evento.

De acordo com o delegado da Polícia Federal em Ilhéus, Samuel Rodrigues Martins Oliveira, o cadáver, do sexo masculino, ainda não foi identificado, mas provavelmente se tratava de clandestino.

Ainda não se sabe a causa da morte, mas provavelmente teria sido logo após o embarque na África, quando é feito o tratamento da carga com produto químico – fumegação – para evitar doenças e pragas, conforme Oliveira. O carregamento era de 5 mil toneladas e foi adquirido por uma multinacional.

No protesto de ontem, os cacauicultores também defenderam a regulamentação do "drawback" (mecanismo que permite à indústria importar matéria-prima sem taxas para depois utilizá-la em produto exportado), taxas de importação para a matéria-prima e derivados e a colocação do cacau na política de preços mínimos do governo.

Além disso, os produtores reclamam que é impossível competir com o produto que vem da África, produzido com custo bem menor. Conforme Galvão, o produto que veio de Gana foi adquirido por R$ 80 por arroba, enquanto os produtores recebem cerca de R$ 60.

A Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que representa as fábricas instaladas no país, informou, em nota, queno período de 04 de março de 2012 a 04 de março de 2013, o preço do cacau cotado na bolsa de Nova York teve uma redução de 12,84%, para US$ 2.071 por tonelada.

Walter Tegani, secretário-executivo da AIPC, disse que a de Gana foi contratada em março do ano passado com preço mais alto que o praticado atualmente, quando ainda não se sabia que a safra brasileira de 2012 seria tão volumosa. "Não é que estamos pagando mais caro, é porque o preço caiu. E a carga chegou em um momento que não precisava", afirmou ele. O custo para cancelar um contrato de importação também é muito alto, de acordo com Tegani. A produção nacional ainda é insuficiente para atender à demanda das indústrias processadoras no país.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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