Carne suína catarinense está a um passo do mercado japonês

A carne suína de Santa Catarina foi aprovada na avaliação de risco da Comissão de Sanidade Animal do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca do Japão, o que representa um passo fundamental para a abertura do exigente país asiático às compras do produto do Estado brasileiro. Com essa aprovação, a estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs) é de que o início efetivo das vendas para aquele mercado poderá acontecer em 60 dias.

Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs, entende que a etapa vencida ontem é a "a mais difícil" do processo de abertura e não vê motivos para demoras nas fases que ainda restam. Amanhã, um novo passo será dado. Os secretários do Ministério da Agricultura Enio Marques (Defesa Agropecuária) e Célio Porto (Relações Internacionais do Agronegócio) apresentarão, em Tóquio, uma primeira proposta de Certificado Sanitário Internacional (CSI) às autoridades do Japão.

O CSI acompanha as remessas como forma de garantir que os requisitos de sanidade animal da carne suína catarinense atendem, de fato, as exigências das autoridades japonesas. Após a negociação dos termos do CSI, as autoridades do Japão deverão aprovar uma lista de estabelecimentos de abate que atendam às exigências sanitárias (higiene e controles laboratoriais), o que pode envolver visitas prévias a unidades.

A abertura de mercado para a carne suína no Japão vem sendo negociada desde 2007, depois que Santa Catarina obteve o título de área livre de febre aftosa sem vacinação, condição única no Brasil. O Japão é um mercado almejado por ser o maior importador de carne suína do mundo. Em 2011, as compras no exterior somaram 793 mil toneladas (US$ 5,2 bilhões). A Abipecs estima que o Brasil deverá responder por 15% das importações japonesas já em 2013.

Santa Catarina produz 800 mil toneladas de carne suína por ano. Hoje, dentre os principais mercados externos compradores de carne suína do Estado estão Rússia e Coreia do Sul, que adquirem 150 mil toneladas cada um. Para se ter ideia da representatividade do Japão, o governo catarinense espera que o país compre mais de 130 mil toneladas.

"Não tenho nenhuma dúvida de que os benefícios econômicos para Santa Catarina serão nossa redenção", destacou o presidente da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri. Ontem, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, em uma argumentação parecida, destacou que o Japão poderá "ajudar a superar a crise no setor". Nos últimos meses, os produtores do Estado realizaram protestos por conta do aumento de custos – principalmente da ração, em virtude da alta dos grãos – e da baixa remuneração da atividade.

Segundo Clever Ávila, presidente do Sindicarnes-SC, o Japão consome cortes especiais de valor agregado; como são produtos exclusivos para os japoneses, a abertura desse novo mercado deverá envolver uma adaptação do processo produtivo catarinense.

© 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/empresas/2805812/carne-suina-catarinense-esta-um-passo-do-mercado-japones#ixzz24qk2wrLv

Fonte: Valor | Por Vanessa Jurgenfeld | De São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *