Cargill reformula sua estrutura de direção

A Cargill, a maior empresa de agronegócios do mundo, anunciou uma reformulação radical de sua estrutura de alta direção. A empresa substituiu um sistema tentacular de duas faixas por uma única equipe executiva.

Com a nova estrutura, os diretores das cinco maiores divisões da Cargill – cadeia de suprimentos, nutrição animal, proteína animal, ingredientes alimentícios e energia, transportes e metais – passarão a perfazer metade da equipe de dez executivos chefiados por David MacLennan.

A Cargill informou que a nova equipe será responsável pela direção estratégica geral da companhia e pelo desempenho de seus setores comerciais.

"Essa mudança visa a simplificar nossa estrutura de liderança e aumentar a rapidez da tomada de decisões – sendo a agilidade um fator decisivo no mundo atual, de mudança acelerada", afirmou MacLennan em comunicado. As modificações entrarão em vigor no fim do mês.

A Cargill é uma das maiores empresas de controle familiar e capital fechado do mundo contabilizando uma receita de cerca de US$ 120 bilhões em seu mais recente ano fiscal. É controlada por 100 membros das famílias Cargill e MacMillan, cujo ancestral William Wallace Cargill fundou a empresa em 1865.

Com sede na periferia de Mineápolis, seus 155 mil funcionários operam em 68 países, em negócios tão diversificados como comércio internacional de grãos e sal viário (usado para livrar rodovias da neve). Nos últimos meses a companhia modificou significativamente sua carteira de ativos, ao vender sua participação em uma siderúrgica e ao adquirir uma empresa de rações para salmão.

Sob sua estrutura de direção anterior, a empresa tinha uma Equipe de Liderança da Cargill de cinco pessoas, além de uma equipe de direção de 24 pessoas. Fontes a par da situação disseram que essa estrutura, operante há 15 anos, mostrou-se excessivamente paquidérmica.

Gert-Jan van den Akker, que voltou alguns meses atrás à Cargill vindo da concorrente Louis Dreyfus Commodities, vai dirigir as divisões de originação e de trading de grãos da empresa. Além disso, as subsidiárias de energia, transporte marítimo e a trading de metais, além dos serviços de gestão de risco, serão comandadas a partir de Genebra, na Suíça, por David Dines.

Os outros diretores de divisão são: Todd Hall, das subsidiárias de proteína animal e sal; Frank van LIerde, das de ingredientes alimentícios; e Joe Stone, de nutrição animal. Eles fazem parte da atual equipe de direção expandida da Cargill.

De acordo com a nova estrutura, algumas das outras divisões financeiras da Cargill serão administradas pelo diretor financeiro, Marcel Smits.

MacLennan foi promovido a CEO da Cargill no fim de 2013 e incorporou o cargo de presidente do conselho de administração alguns meses atrás.

Ele manifestou decepção com os resultados, que atribuiu, em parte, ao fraco desempenho dos mercados emergentes com alto potencial de crescimento. Os ganhos operacionais ajustados, de US$ 611 milhões, reportados no mais recente trimestre divulgado, ficaram ligeiramente abaixo dos níveis do mesmo período do ano anterior. No trimestre precedente a Cargill sofreu seu primeiro prejuízo desde 2001.

Sob a liderança de MacLennan a Cargill reformulou parte de sua carteira de negócios de crescimento desordenado. Alguns meses atrás a empresa vendeu sua divisão americana de carne suína, que incluía duas unidades de processamento, cinco fábricas de ração e quatro granjas de criação de suínos, à JBS do Brasil, por US$ 1,45 bilhão.

Em setembro, a Cargill informou que desmembraria como companhia independente para os funcionários três empresas de fundos de sua divisão de administração de ativos Black River Asset Management, deixando a gestão dos dois outros fundos ao seu pessoal interno.

"Era um setor de que gostávamos, mas, em última instância, em termos da nossa intenção estratégica de ser uma companhia de agricultura, alimentos e gestão de risco, a administração de ativos não se encaixava no longo prazo", disse MacLennan ao "Financial Times" no mês passado.

Também recentemente, a Cargill realizou a segunda maior aquisição de seus 150 anos de história, ao comprar a fabricante de ração para salmão EWOS, da Noruega, por € 1,35 bilhão de euros (ou cerca de US$ 1,5 bilhão), incluindo dívidas.

Na terça-feira, a Cargill também confirmou a aposentadoria dos vice-presidentes do conselho de administração Paul Conway e Emery Koenig, após 36 e 38 anos de serviço, respectivamente.

"Ambos participaram intensamente das discussões sobre a composição da nova equipe executiva, e são fortes respaldos da direção", afirmou a Cargill.

Koenig e Conway têm pouco menos de 60 anos, e estão distantes da idade de aposentadoria obrigatória dos altos executivos da Cargill, de 65 anos.

A agência Reuters informou na semana passada que a Cargill poderá fechar não menos que 4 mil postos de trabalho como parte da reestruturação. Pessoa familiarizada com o tema disse: "Não há um documento mágico com 4 mil nomes por escrito. É só boataria". (Tradução de Rachel Warszawski)

Por Neil Hume e Greg Meyer | Financial Times

Fonte : Valor

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