Cargill moderniza e amplia unidade de cacau em Ilhéus

Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/Valor
Sieh, da Cargill: aportes vão atender aumento do consumo de derivados de cacau

A multinacional americana Cargill está investindo aproximadamente R$ 10 milhões para modernizar e expandir em 25% a capacidade de prensagem de cacau em sua unidade em Ilhéus, na Bahia.

A capacidade de prensagem passará de 65 mil para 80 mil toneladas por ano, de acordo com Miguel Sieh, diretor da Unidade de Negócio Cacau e Chocolate da Cargill. O projeto de ampliação já foi iniciado e a conclusão está prevista para o início do próximo ano.

A prensagem é uma etapa posterior à moagem da amêndoa e resulta na separação entre a parte gordurosa (manteiga) e a parte sólida (pó) de uma pasta, o liquor, que é obtido no primeiro processamento do produto (moagem). A manteiga é utilizada para a fabricação de chocolate e o pó serve para a produção de diversos itens do setor de alimentos, entre os quais sorvetes, achocolatados, bebidas lácteas e sobremesas.

Assim, a capacidade instalada nominal de processamento da unidade da empresa, de cerca de 85 mil toneladas, não aumentará. Essa capacidade é maior que a da prensagem porque parte do produto obtido com a moagem – o liquor – pode ser usada também na fabricação de chocolate sem passar pela prensagem.

A unidade em Ilhéus, inaugurada em 1980, período em que o Brasil era o segundo maior produtor mundial de cacau (na safra 2011/12 empatou com a Nigéria na quarta posição), foi a primeira da Cargill no segmento e hoje é, individualmente, a maior da América Latina em capacidade de processamento, conforme Sieh.

Além da ampliação do volume de prensagem, a multinacional também vai inaugurar uma nova plataforma de produção, com tecnologia mais eficiente do equipamento que reduz manutenção e garante maior confiabilidade no processo.

O investimento na prensagem visa atender ao crescimento do mercado consumidor de chocolates e derivados de cacau. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o consumo per capita de chocolate no país é de 2,2 quilos por ano ante 1,65 quilo há três anos. O aumento, segundo a Abicab, foi motivado pelo crescimento de renda da população, que passou a incluir o produto na cesta de compras.

O Brasil moeu, no ano passado, 235,76 mil toneladas de cacau, aumento de 2,89% sobre 2011, segundo a Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC). Sieh, que também preside a entidade desde julho, afirma que a moagem da amêndoa tende a crescer este ano entre 3% e 5% em relação a 2012.

A produção brasileira da matéria-prima ainda é insuficiente para atender à demanda das indústrias instaladas no país, mas muitas empresas estão otimistas com o crescimento da safra nacional. A colheita atingiu 220 mil toneladas na temporada 2011/12 (entre outubro de 2011 e setembro do ano passado), a maior dos últimos 18 anos, de acordo com a TH Consultoria e Estudos de Mercado.

Além da unidade de processamento em Ilhéus, a Cargill também conta com uma fábrica de chocolate industrial em Porto Ferreira (SP), inaugurada há cinco anos. Com capacidade de produção de 10 mil toneladas por ano, a indústria recebeu investimentos iniciais da ordem de US$ 7 milhões.

E, de olho na perspectiva de crescimento da demanda por chocolate na Ásia, a companhia anunciou aportes de US$ 100 milhões para instalar uma fábrica na Indonésia, com previsão de iniciar a produção em 2014. A unidade marcará a entrada da Cargill no processamento de cacau no continente asiático. Nas Américas do Norte e do Sul, na Europa e na África, a capacidade existente soma 700 mil toneladas por ano. Esse total deverá crescer em 10% a 15% com a nova indústria.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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