Cargill investe em óleos industriais

Silvia Zamboni/Valor

Paulo Hoffmann: de olho em novas oportunidades para crescer nesse mercado

Mais conhecida pelo gigantismo de suas operações no mercado de commodities, a americana Cargill, maior empresa de agronegócios do mundo, continua a engendrar esforços e recursos para avançar em segmentos nos quais os valores agregados dos produtos são maiores e as margens de lucro, também.

Mais um passo dessa estratégia acaba de ser dado, outra vez no Brasil e desta feita na área de especialidades especiais. A companhia comprou, por um valor não revelado, a fábrica de óleos industriais da SGS Microingredients em Ponta Grossa, no Paraná, um ativo com potencial para, no curto prazo, ampliar suas vendas no segmento para cerca de R$ 500 milhões por ano no país.

Em 2015, a receita líquida total da multinacional no Brasil alcançou R$ 32,1 bilhões, 23% mais que no ano anterior, mas o lucro líquido recuou 16%, para R$ 415 milhões. As vendas globais da Cargill somaram US$ 107,2 bilhões no ano fiscal 2016, que terminou no dia 31 de maio. Na área de aplicações industriais, o faturamento total foi de aproximadamente US$ 425 milhões por ano.

Em um primeiro momento, diz Paulo Hoffmann, gerente geral da Cargill Industrial Specialties no Brasil, o foco na unidade adquirida será reduzir a ociosidade. Com apenas 35% da capacidade instalada de 60 mil toneladas por ano sendo utilizada, o faturamento em Ponta Grossa ainda está restrito a entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões por ano.

O objetivo, afirma o executivo, é elevar o percentual de utilização para entre 80% e 90%. E essa possibilidade pesou na definição da aquisição, uma vez que a unidade é relativamente nova e não exigirá investimentos expressivos para alcançar o nível que a Cargill considera ideal.

Mas, conforme Hoffmann, esse não foi o único fator que levou a empresa a fechar negócio. O acesso às soluções desenvolvidas pela SGS também foi fundamental. A Cargill garante ainda contar com os 80 funcionários empregados na fábrica para trabalhar em sua expansão.

A múlti já produz óleos industriais em outras unidades no Brasil. A principal é em Mairinque, no interior de São Paulo, capaz de produzir entre 36 mil e 40 mil toneladas por ano. Mas são produtos diferentes dos fabricados em Ponta Grossa, por isso os volumes não são comparáveis.

Os óleos industriais da Cargill são produzidos a partir de fontes renováveis agrícolas como soja, milho, canola e palma, entre outros. Esses óleos, que podem substituir alternativas sintéticas ou derivadas de minerais ou animais, são utilizados em cosméticos, por exemplo.

Mas, como pontuou Hoffmann, ninguém utiliza esses óleos industriais derivados de fontes renováveis apenas por conta da sustentabilidade que eles carregam. "É preciso ter custo e performance competitivos, sobretudo porque estamos competindo com o petróleo", disse. Ainda assim, as margens de lucro oferecidas chegam a ser até cinco vezes superior às registradas nos negócios com commodities.

A Cargill afirma estar de olho em novas oportunidades no segmento. E a SGS, uma empresa familiar, continua firme em operação, com uma fábrica de óleos químicos no Rio Grande do Sul.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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