Capital deve produzir 1,5 mil toneladas de pêssego

Estimativa na abertura da colheita é de repetir números de 2012

Nestor Tipa Júnior

MARCO QUINTANA/JC

O produtor Hildemar Piber espera conseguir 100 toneladas da fruta

O produtor Hildemar Piber espera conseguir 100 toneladas da fruta

Líderes de produção de pêssego entre as capitais do País, com 120 hectares destinados à atividade, os produtores de Porto Alegre esperam ao menos repetir o desempenho do ano passado em termos de colheita do fruto nesta safra. A ideia é chegar a 1,5 mil toneladas colhidas ou até mesmo superar o volume registrado em 2012.
A colheita da fruta foi aberta oficialmente ontem na Capital em cerimônia realizada na propriedade do agricultor Hildemar José Piber, localizada no bairro Campo Novo na zona Sul da cidade. Junto foi lançada a 29ª Festa do Pêssego de Porto Alegre e a 22ª Festa Estadual do Pêssego. A solenidade contou com a presença de autoridades como o prefeito José Fortunati.
Piber e a família trabalham na produção de pêssegos há mais de 45 anos. Ocupou seis dos dez hectares da propriedade com o plantio da fruta nesta safra. A ideia é colher pelo menos 100 toneladas, o que representa 20% a mais do que no ano passado, quando foram produzidas 80 toneladas. Conforme o agricultor, o clima foi benéfico este ano, e a expectativa é de uma colheita boa tanto em quantidade quanto em qualidade. Quanto aos preços, avalia que está de acordo com o custo de produção. “Estamos vendendo por um valor médio entre R$ 4,50 e R$ 5 o quilo”, informa.
O diretor da Divisão de Fomento Agropecuário da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), Antônio Bertaco, lembra que a prefeitura deu o apoio aos produtores locais com a doação de 33 mil mudas com o objetivo de fomentar a produção. Informa que Porto Alegre possui hoje 42 famílias dedicadas à área da fruticultura, que devem colher bons frutos com o apoio dado pelo clima nesta temporada. “O tempo foi propício com um inverno e início de primavera adequados. Com isso deveremos ter uma boa quantidade de frutos sadios e com qualidade para o consumidor”, analisa.
A avaliação também é compartilhada pelo presidente do Sindicato Rural de Porto Alegre, Cléber Vieira. Conforme o dirigente, o incentivo dado pela prefeitura aliado ao fomento à produção orgânica também está motivando produtores a retomar investimentos na atividade. “A partir desta iniciativa, a estimativa é que houve um aumento de 10% no número de produtores que apostaram na cultura”, afirma.
A comercialização ao público se inicia já no próximo sábado e segue em todos os finais de semana de novembro – com abertura também no feriado do dia 15 de novembro – no Centro de Eventos Vereador Ervino Besson, na Avenida João Salomoni, 1.340, bairro Vila Nova, das 9h às 18h. Durante a semana, as vendas serão feitas em bancas localizadas no Centro de Porto Alegre, na rua José Montaury, de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h. A expectativa da organização é chegar a 120 toneladas comercializadas, mesmo número da feira de 2012.

Preocupação de produtores é preservar a zona rural

Durante a solenidade de abertura da colheita do pêssego, as autoridades garantiram aos produtores que farão esforços para manter intacta a área rural da Capital. Com a mudança do Plano Diretor da cidade, as áreas agrícolas foram transformadas em áreas chamadas rururbanas, o que ocasionou o crescimento da especulação imobiliária nestes terrenos.
O secretário de Produção, Indústria e Comércio, Humberto Goulart, informou que um grupo de trabalho formado ainda na gestão de José Fogaça, que pretendia estudar uma solução para a manutenção da zona rural de Porto Alegre, foi retomado. O objetivo é preservar a produção agropecuária da cidade, que é a de segunda maior área entre as capitais brasileiras, perdendo apenas para Palmas, no Tocantins. “Terminamos os debates técnicos e agora vamos entrar na seara política. Nossa intenção é de propor um decreto para modificar novamente o Plano Diretor”, explica.
O prefeito José Fortunati garantiu aos produtores o apoio para levar a medida em frente. Destacou que a economia do município também é baseada na agropecuária e defende a demarcação da zona rural para preservar a produção. “A especulação imobiliária está entrando em uma área da cidade da qual não podemos abrir mão, pois gera emprego e renda para uma série de famílias”, ressalta.
O presidente do Sindicato Rural de Porto Alegre, Cléber Vieira, lembrou que Porto Alegre tem 17 mil hectares de áreas que seriam consideradas de zona rural, sendo que 9 mil hectares são de preservação rural. O dirigente pede uma solução rápida para a questão antes que a área diminua. “Existe uma vontade de resolver o problema, mas é preciso que seja feito antes que esta produção fique apenas na lembrança”, adverte.

Fonte: Jornal do Comércio

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