Cantagalo ganha força como trading de grãos

Luiz Aguiar, CEO da Cantagalo: sinergias entre comercialização e logística
Fundada em 2011, a Cantagalo General Grains, que tem como sócia majoritária a companhia têxtil Coteminas, foi rápida em tomar para si uma fatia do mercado de trading de grãos no país, dominado por gigantes multinacionais. A empresa levou menos de dois anos para alcançar a venda de seu primeiro milhão de toneladas. Agora, a expectativa é elevar esse volume a 4,5 milhões de toneladas em 2015, e é essa área de trading que deve ser a maior responsável pelo faturamento de US$ 1,4 bilhão deste ano, 10% acima de 2014.

"Acredito que exista espaço para uma empresa brasileira que seja dinâmica, ágil no processo decisório, e que tente buscar sinergias entre os negócios, principalmente na comercialização e na logística", afirmou ao Valor Luiz Aguiar, CEO da Cantagalo, em sua primeira entrevista sobre a companhia desde que assumiu o posto, há nove meses. O executivo lembra que a empresa não faz parte das líderes conhecidas como ABCD (acrônimo que designa as poderosas tradings globais ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Commodities), mas diz que não é esse o propósito. "Estamos longe delas, mas entre os líderes do second-tier [a segunda ‘fila’ do mercado]", acrescentou.

A Cantagalo General Grains é uma holding que possui em sua composição acionária, além da Coteminas (dona de 48,65% do capital), as também brasileiras Agrícola Estreito e GFN Agrícola, o fundo americano Valor Grains e a japonesa Sojitz. A empresa divide atenções entre a produção agrícola, com seus 150 mil hectares agricultáveis, e a comercialização de commodities agrícolas (soja e milho, em especial), feita por meio de sua controlada CGG Trading – o ‘coração’ da companhia. É a CGG que controla a terceira frente de negócio da Cantagalo: a Corredor, dedicada à logística. "Vamos crescer, tanto na originação quanto na logística, em torno de 7% a 10% ao ano", projeta Aguiar.

Embora quase toda a receita seja capitaneada pela CGG Trading, o executivo não esconde uma animação particular com o mais recente feito da companhia: a participação no Tegram, terminal de grãos no porto de Itaqui (MA), em funcionamento desde abril. O projeto vem na esteira de um conjunto de investimentos do setor na saída pelo Norte do Brasil, como forma de reduzir o frete de escoamento de grãos, principalmente para a Ásia. "É um sucesso absoluto. Já fizemos 500 mil toneladas de elevação [embarque] lá, acima da expectativa", detalhou.

A CGG opera no Tegram em consórcio com NovaAgri /Toyota, Glencore e Consórcio Crescimento (joint venture entre Amaggi e Louis Dreyfus). A atual capacidade de movimentação do terminal é de 5 milhões de toneladas, mas deve chegar a 10 milhões nos próximos anos – das quais 2,5 milhões podem sair pela Corredor, com o apoio de um armazém para 125 mil toneladas.

Apesar dos investimentos na região Norte, a CGG ainda concentra o escoamento pelo T-Grão, terminal no porto de Santos (SP) por onde movimenta até 1,5 milhão de toneladas, que se somam a operações menores nos portos de Paranaguá (PR), Tubarão (ES) e Rio Grande (RS).

Das 4,5 milhões de toneladas que a CGG espera movimentar em 2015, a soja deve responder por 2,2 milhões, o milho por 1,8 milhão, e o restante será trigo, algodão e cevada. Se confirmada a previsão, haverá uma alta de 34% ante as 3,35 milhões de toneladas de 2014. A expectativa da trading é que 30% dos grãos venham do Cone Sul (Argentina, Paraguai e Uruguai) este ano. No Brasil, ainda que o Tegram impulsione a originação no "Matopiba" (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o maior fornecedor continua a ser Mato Grosso.

"Já fizemos todo o volume do ano passado nesse primeiro semestre. E no segundo, a demanda por milho pode surpreender", afirmou Aguiar. O executivo admite que a segunda metade de 2014 foi "mais difícil", em função do recuo brusco nos preços das commodities, mas que a empresa já se ajustou. "Nosso desempenho operacional esse ano, em todos os meses, foi positivo em relação à margem bruta de comercialização, diferentemente do ano passado, especialmente do segundo semestre". Em 2014, a Cantagalo teve um prejuízo líquido atribuído a acionistas controladores de R$ 155,5 milhões.

Atualmente, a acionista Sojitz responde por 20% a 30% da demanda da CGG, mas a trading têm diversificado a clientela com o apoio de representantes na Austrália, China, Coreia do Sul, EUA e Japão.

Conforme Alexander Erlea, vice-presidente de estratégia da Cantagalo, a negociação internacional de grãos muitas vezes é feita com intermediários. Mas a companhia, mesmo com um porte que permite ganhos de escala, ainda tem a possibilidade de tratar com clientes e fornecedores de maneira mais próxima.

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo

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