CANAL RURAL RESPONDE Por que, apesar de produzir, o Brasil importa tanto trigo?

Com pouca concentração de glúten, só 30% do produto nacional serve para a panificação

VÍDEOS RELACIONADOS
Chuva atrasa colheita e prejudica cana em SP
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Dois terços da safra de trigo do Paraná possuem boa qualidade
Indústria de trigo reduz demanda devido ao dólar
Produção de trigo custará mais caro e produzirá menos
O Brasil é conhecido como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas, no caso do trigo, a lógica é diferente. Para produzir o pãozinho francês consumido diariamente, as empresas precisam comprar o cereal no mercado internacional, cotado em dólar. Com a moeda norte-americana escalando para os R$ 4,00, a alta impacta todo mundo: da indústria à mesa do brasileiro.

A Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) aponta que no primeiro semestre deste ano o aumento de preços para o consumidor foi de 8%. A previsão para o final de 2015 é de nova alta: 5%. Os motivos que levam a indústria a buscar no mercado externo o produto para consumo são a baixa oferta e a falta de qualidade.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), a demanda do setor é de 11 milhões de toneladas, mas o país deve produzir nesta safra pouco mais de 6 milhões de toneladas. Do total produzido aqui, apenas 30% serve para a panificação. A maior parte é destinada para a produção de outras farinhas, como as de bolo. Para 2015, 5 milhões de toneladas devem ser importadas, com 60% destinados para a panificação. Resumindo: o pão depende muito do trigo cotado em dólar.

Quando falamos de qualidade do produto, isso significa que o cereal produzido em solo brasileiro tem menos concentração de glúten do que o grão produzido na Argentina e nos Estados Unidos, por exemplo. Ou seja, mesmo que a produção do Brasil fosse superior a 11 milhões de toneladas, a indústria ainda precisaria importar.

Considerada uma cultura de inverno, semeada na entressafra da soja, o trigo tem a produção concentrada no Centro-Sul brasileiro, especialmente no Rio Grande do Sul e Paraná. Só que é uma produção considerada de alto risco pelo produtor.

Além disso, por ser um produto vendido basicamente no mercado interno, o agricultor tem poucas oportunidades de venda com boa remuneração, como acontece com a soja e o milho. Isso também explica a baixa oferta do cereal. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a área plantada no país diminuiu mais de 10% na comparação com a temporada anterior.

Portanto, a partir de agora, ao olhar as gôndolas das padarias, lembre-se de que não são apenas os eletrônicos, perfumes e viagens para o exterior que estão mais caras. O pão do seu café da manhã também é cotado em dólar.

Fonte : Canal rural

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *