CAMPO NOVO (RS) – Veja como foi o Fórum Soja Brasil na Expoagro Cotricampo

Durante evento que aconteceu em Campo Novo (RS), dois temas chamaram a atenção dos produtores: um sobre o otimismo nas vendas de soja e outro da chegada de um La Niña

Foto: Franco Rodrigues

O Fórum Soja Brasil desta quinta-feira, dia 13, que aconteceu dentro da feira Expoagro, da Cotricampo, destacou um cenário otimista para o mercado da soja neste ano e as oportunidades que os produtores terão. Outra informação que chamou a atenção foi sobre a previsão de chegada de um possível La Niña. Confira!

Mais uma vez, o auditório estava completamente lotado para acompanhar o Fórum Soja Brasil. Não à toa, pois contava com a presença de palestrantes renomados como o consultor de mercado Wlamir Brandalizze, engenheiro agrônomo e especialista em mercados agrícolas da Brandalizze Consulting, Matheus Pereira, diretor da consultoria ARC e Ramón Ortellado, secretário Executivo do Bloco de Intendentes, Prefeitos e Alcaldes do Mercosul (Bripaem).

Antes de a palestra principal começar, a editora de tempo do Canal Rural, Pryscilla Paiva, falou um pouco sobre a chance se configurar uma La Niña no segundo semestre do ano. Segundo ela, as primeiras projeções para o segundo semestre apontam um resfriamento das águas do oceano pacífico equatorial, ou seja, chance para a configuração do fenômeno La Nina.

“Independente se o La Nina se configurar ou não, as águas do oceanos ficarão mais frias no segundo semestre e isso é preocupante para o Rio Grande do Sul, pois pode gerar impactos no clima, com novas estiagens”, conta Pryscilla.

Pryscilla Paiva. Foto: Franco Rodrigues

Diante das projeções climáticas, o analista Vlamir Brandalizze iniciou sua palestra alertando para uma grande oportunidade para o mercado brasileiro.

“Quando falamos em La Niña o Rio Grande do Sul é o estado mais penalizado, mas tbm é o fenômeno que mais causa prejuízos nos EUA e deve chegar durante a safra deles, afirmou a Pryscilla. Se tiver mesmo, isso se refletirá nos preços e trará boas oportunidades para o Brasil”, diz.

Segundo o analista, os produtores brasileiros do Sul terão bastante tempo para se prepararem para esta possível estiagem, investindo inclusive em segundas safras que gerem boas palhadas.

Analista Vlamir Brandalizze. Foto: Franco Rodrigues

“O produtor tem que ficar atento e já investir em uma boa palhada. De resto o ano será bom, tanto que os negócios começaram a sair mais cedo. Os fertilizantes estão mais baratos este ano e, os agricultores já podem começar a trocar sua soja por insumos”, afirma.

EUA não preocupam

Outro debatedor do dia, Matheus Pereira, da ARC Mercosul, comentou que além da La Niña, outra razão deve fazer com que a safra dos Estados Unidos não seja preocupante para o Brasil e o mercado.

Matheus Pereira, da ARC Mercosul. Foto: Franco Rodrigues

“Por lá, há algo mais acontecendo, pois o cultivo da soja está sendo desincentivado, em prol do milho. Por conta da guerra comercial e dos subsídios atuais, o governo do país está alertando os produtores para investirem no milho, dizendo que a ajuda para a soja será retirada”, comenta.

Quando indagado sobre os efeitos do coronavírus no mercado da soja, Pereira acredita que há muito exagero nas projeções de demanda chinesa por alimentos.

“Há muito exagero sobre os efeitos do coronavírus. Acredito que o mercado reagirá rápido, quando uma cura for encontrada e isso não deve demorar”, diz.

Biodiesel aumenta demanda por soja

Uma questão foi destaque entre as perguntas recebidas da plateia em relação ao comércio da soja. Porque o Brasil não agrega valor, produzindo e vendendo farelo de soja, ao invés de negociar o grão?

Presente na roda de debates, o deputado federal Jerônimo Goergen afirmou que o Brasil não tem condições de disputar com a China em processamento de soja, já que o país possui a maior rede de indústrias voltadas a esse segmento, com um custo duas vezes menor que em qualquer lugar do mundo.

Feputado federal Jerônimo Goergen. Foto: Franco Rodrigues

“É falácia achar que o Brasil não agrega valor à soja. A mudança na mistura do biodiesel é prova disso. Hoje estamos no B11 e já e temos garantido o B15. Isso significa mais soja sendo processada aqui. Essa mistura é sem dúvida uma das melhores situações ambientais e para o mercado nacional”, afirma Goergen.

O assunto também foi destaque na palestra de Brandalizze que aponta que o aumento na mistura já trará reflexos nos preços da soja este ano.

“Na questão do biodiesel o Brasil foi do B10, para o B11 e por isso precisaremos de mais ou menos 600 milhões de litros de óleo de soja a mais para essa mistura. O Brasil deve fechar o ano com um estoque inferior a 3 milhões de toneladas, justamente pelo aumento no consumo interno e nas exportações. Isso será bom para os preços, pois já estamos consumindo a safra nova”, afirma Brandalizze.

Por Daniel Popov, de São Paulo

Fonte : Canal Rural