CAMPO – MP e Estado querem discussão profunda sobre uso do 2,4-D

Em reunião que transcorreu por mais de uma hora na tarde de ontem, o secretário estadual da Agricultura, Covatti Filho, apresentou ao promotor Alexandre Saltz, do grupo especializado em meio ambiente do Ministério Público (MP), sete propostas para minimizar os possíveis danos do agrotóxico 2,4-D, aplicado antes do plantio da soja para eliminar erva daninha e que estaria prejudicando outras culturas no Rio Grande do Sul.

As medidas incluem treinamentos de produtores para a correta pulverização, sistema de alerta de deriva (quando herbicida pode se espalhar para outras áreas próximas), regulamentação de normas de aplicação terrestre do químico e criação do fundo de indenização, entre outras. Elas são, no entendimento do governo estadual, alternativa para evitar a suspensão por via judicial do uso e da comercialização do herbicida, opção que é considerada pelo MP, responsável por apurar, em um inquérito civil que já soma mais de 700 páginas, os danos causados pelo agroquímico.

Na última safra, a deriva do 2,4-D, cujos resíduos são carregados pelo vento até plantações vizinhas, pode ter causado perdas milionárias em lavouras de uvas, azeitonas e maçãs – parte dos vegetais atrofiou e morreu ao ser alcançado pelo herbicida.

No encontro, duas novas rodadas de negociações foram agendadas. No dia 17 de abril, ocorrerá a primeira reunião do grupo de trabalho criado em fevereiro pela Agricultura para discutir o 2,4-D. O MP se agregará aos debates e, conforme Covatti, representantes de setores prejudicados, preteridos da composição inicial do grupo, estão sendo chamados a participar. No dia 23, haverá audiência vinculada ao inquérito civil conduzido pelo MP. Neste encontro, o Estado se comprometeu a detalhar medidas aos produtores rurais atingidos.

CARLOS ROLLSING

Fonte : Zero Hora

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