CAMPO E LAVOURA

Agricultura acena com comprovação virtual da vacina

Em meio à preocupação com o movimento intenso nas inspetorias veterinárias em tempos de coronavírus, a Secretaria da Agricultura promete para hoje comunicado informando aos produtores que eles não precisarão mais ir até os locais de atendimento para a comprovação de imunização do rebanho bovino e bubalino do Estado. A campanha de vacinação começou na segunda-feira e vai até o dia 14 de abril. Depois da aplicação das doses, o pecuarista tem de fazer a comprovação junto ao órgão oficial, por meio da apresentação da nota fiscal.

A aglomeração de pessoas, como registrou a coluna, tem preocupado os servidores que atuam nas inspetorias. Ontem, representantes da Associação dos Fiscais Agropecuários do Estado (Afagro) estiveram reunidos com o secretário da Agricultura, Covatti Filho. A categoria havia sugerido a suspensão da vacinação. A hipótese não é aventada neste momento, segundo o titular da pasta:

– Não há indicação, até o momento, para que essa atitude seja tomada. Mas isso poderá ser repensado.

Covatti Filho explica que a partir de hoje haverá ampla divulgação para que os produtores possam enviar as informações por meio eletrônico, evitando o deslocamento até a inspetoria. Em alguns locais, estaria sendo estudada parceria com as revendas para que, no momento da compra da vacina, esses estabelecimentos possam ficar responsáveis pelo envio dos documentos.

Presidente da Afagro, Pablo Fagundes Ataíde diz que a categoria vê com preocupação a situação. Ele esteve presente na reunião ao lado da vice e de integrantes da Associação dos Servidores das Ciências Agrárias do Estado (Assagra) e da Associação dos Agentes de Fiscalização Agropecuária do RS (Agea).

– É um contrassenso manter uma campanha de vacinação que promove a aglomeração de produtores nas agropecuárias, inspetorias e sindicatos rurais. Neste momento, é contribuir para agravar a situação de calamidade.

Normalmente realizada em maio, a campanha foi antecipada para 16 de março a 14 de abril, porque o Rio Grande do Sul está buscando a evolução do status sanitário.

Serão imunizados cerca de 12,6 milhões de animais. O prazo para comprovação vai até 22 de abril. No RS, existem 250 inspetorias veterinárias.

NO RADAR

O Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers) deve bater o martelo na segunda-feira sobre como as fabricantes deverão se organizar diante do coronavírus. Ontem, a entidade esteve reunida com representantes de trabalhadores. Entre as ações avaliadas, estão férias, trabalho em casa e compensação de horas.

Novas medidas

A Federação dos Trabalhadores na Agricutura do Estado (Fetag-RS) decidiu adotar o regime de teletrabalho para os funcionários. A sede, na Capital, terá regime de rodízio no horário de atendimento, das 8h às 11h45min e das 13h15min às 17h30min, com um funcionário para atendimento telefônico, recebimento de correspondências e outros encaminhamentos que sejam necessários.

A diretoria também adotará o rodízio, com dois diretores semanalmente escalados para estar na sede da federação.

Sob impacto da estiagem

A colheita de soja evoluiu nesta semana para 18% do total da área cultivada no Rio Grande do Sul. A chuva registrada foi em quantidade insuficiente para mudar o quadro de prejuízos causados pela estiagem. Ainda assim, a umidade ajudou a mudar um pouco o visual das lavouras.

– Vi produtores voltarem a colher em um cenário menos cruel. Parou de se perder. E tem o aspecto das lavouras. Isso ajuda a distensionar um pouco o cenário – avalia Alencar Rugeri, diretor-técnico da Emater.

O órgão só deve apresentar novo levantamento da safra de verão quando a colheita for encerrada. Na última projeção, que embasou os pedidos de socorro à União, estimava-se recuo de 32,2% na soja em relação ao que se esperava colher no início do ciclo.

No campo e em outras estimativas, a perspectiva é de diminuição ainda maior.

Levantamento feito pela Associação das Empresas Cerealistas do Estado (Acergs), com as 41 associadas até o início da semana, indica redução 43,4% na soja e de 33,9% no milho. A projeção é de que o volume fique entre 11 milhões e 12 milhões de toneladas.

– A situação está grave e difícil. As previsões estão se confirmando com a colheita – afirma Roges Pagnussat, presidente da Acergs.

Apontamento da Rede Técnica de Cooperativas, com apoio da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro), apresentou estimativa de encolhimento de 46,6% na produção de soja.

O presidente da Acergs acrescenta que, além da produção reduzida, há muitos municípios determinando o fechamento do comércio como medida de enfrentamento do coronavírus, o que dificulta a logística. Em pleno período de recebimento de safra, a entidade está trabalhando de portas fechadas e reforça as recomendações de prevenção.

gisele.loeblein@zerohora.com.br
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GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora