Campo e Lavoura – Voz campeira | STR – Preços indefinidos em plena colheita da uva.

Estamos iniciando as atividades da colheita de mais uma safra da uva. A prática das indústrias de negociar a produção sem definição de preço, infelizmente mais uma vez se repete. A impressão é de que a indústria deixa a negociação para o momento da colheita para poder barganhar, pois a uva é um produto perecível e, quando pronta, precisa ser colhida em poucos dias.

O preço mínimo estabelecido pelo governo infelizmente ainda permanece em centavos. É um valor irrisório e sequer cobre o custo de produção. Não estimula a produção e muito menos incentiva os jovens a permanecer em atividade. Com a baixa remuneração, o cenário é de desestímulo, abandono e consequente decadência dos parreirais e envelhecimento do meio rural. A falta de renda, a insegurança e a indefinição em relação ao futuro, são fatores que contribuem para a exclusão cada vez maior do jovem do meio rural. O único prejudicado é o produtor, pois sem renda não há atividade que se sustente.

Os atuais dados de comercialização apontam que os estoques de vinhos e derivados são os mais baixos dos últimos anos. Além do estoque baixo, o preço do vinho, sucos e espumantes teve aumento que ultrapassou qualquer índice econômico. A previsão de volume de produção é de uma safra normal. Esses argumentos evidenciam que a uva pode e deve ser paga mais do que o preço mínimo, sob pena de em um curto espaço de tempo as indústrias não terem mais matéria-prima para suprir suas necessidades.

– O jogo de interesses em relação ao preço e o prazo de pagamento provoca indignação, incertezas e insegurança entre os produtores – alega Jeferson Vanzetto de Carvalho, técnico em agropecuária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Vacaria e Muitos Capões.

As pessoas trabalham, investem e se dedicam, junto com suas famílias, o ano inteiro, de sol a sol no cultivo da uva. A indústria não sobrevive e não tem sentido de existir sem a matéria prima.

Qual o produto primário é adquirido e processado sem que o fornecedor saiba quanto e quando receberá? A perdurar essa situação de desestímulo ao produtor de uvas, o futuro será a decadência cada vez mais acentuada da produção e o abandono dessa centenária atividade que foi a base da sobrevivência de milhares de famílias.

Que haja mais clareza, transparência, justiça e respeito ao produtor.

Diante disso, a orientação é que os produtores de uva negociem com cuidado e busquem informações no STR.

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria e Muitos Capões (STR)

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Fonte : Zero Hora

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