CAMPO E LAVOURA | Velocidade acelerada no preço para transporte da safra

Com a procura em alta, o aumento no custo do transporte no período de safra não é novidade, mas a velocidade dessa elevação em 2021 impressiona. Levantamento feito a pedido da coluna pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), com base em dados da AE Broadcast, mostra que já há efeitos no preço do reajuste de combustíveis e do custo de manutenção de caminhões. E que ganham ainda mais intensidade diante da predominância do modal rodoviário no escoamento.

Com o mês de março ainda em curso, nas quatro cidades pesquisadas, o avanço do preço por tonelada para levar a produção até o porto de Rio Grande em relação ao mês passado é de, pelo menos, 100%.

– O que chama a atenção é que os preços já dobraram em todas as praças. E estão de 16% a 40% maiores do que em igual período do ano passado. Não estamos nem no final de março, ainda pode ter mais alta – diz Antônio da Luz, economista-chefe do sistema Farsul.

A análise é feita com base em quatro municípios: Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e Santo Ângelo (veja ao lado).

O maior percentual é em Santo Ângelo, onde os R$ 120 por tonelada verificados até agora em março representam aumento de 140% sobre fevereiro – quando o valor era R$ 50. Em relação a março de 2020, são 41% a mais. A explicação vem de fatores conjunturais e estruturais, pondera o economista. Entram na relação do que está tendo reflexos neste momento, os reajustes dos combustíveis e os valores desembolsados com a manutenção de caminhões.

– Com um sistema modal em que predomina o rodoviário, esse tipo de problema é potencializado. Porque o aumento de um insumo, em um segmento ineficiente, amplia os resultados – entende Da Luz.

Presidente da Associação Hidrovias RS e coordenador da Comissão de Infraestrutura e Logística da Farsul, Fábio Avancini Rodrigues avalia que hoje já são vistas iniciativas que eram inexistentes ou modestas na busca por modais múltiplos (além das estradas, hidrovias e ferrovias). Há propostas em debate nas esferas federal e estadual. Efeito também da necessidade, pontua Rodrigues.

– Com o impacto da greve de caminhoneiros, fez-se entender que não se pode ter aposta única, é preciso várias opções. E não podemos esquecer que são modais complementares – comenta o dirigente.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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