CAMPO E LAVOURA – Vagas de trabalho sob o efeito da sazonalidade na agropecuária

Com peso também sobre o mercado de trabalho, a sazonalidade das safras é um dos fatores que ajudam a explicar os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para a agropecuária. No país, as 113,25 mil vagas criadas no acumulado do ano até maio representam o melhor cenário em nove anos. Considerando apenas o quinto mês, o saldo positivo foi de 42,53 mil postos, puxados pelo desempenho do Sudeste, com 39,12 mil.

A região, por sua vez, teve no Estado de São Paulo o principal motor. Foi a unidade da federação em que mais surgiram oportunidades em atividades do setor, aponta análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a partir dos dados do Ministério da Economia. Via de regra, esse é um período do ano em que o reflexo do calendário das safras já se traduz em cortes de postos de trabalho. Neste ano, no entanto, houve um fator atípico, que mudou esse panorama.

– Houve atraso no plantio de soja, que impactou também o da safrinha. E isso diminui a janela, no país, em que há redução de vagas – explica Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da CNA.

Situação diferente da enfrentada no Rio Grande do Sul, que teve saldo negativo de 1.111 postos em maio. De novo, um efeito da influência do ciclo produtivo. As reduções são esperadas para essa época e vêm principalmente dos safristas contratados para a colheita da maçã e também do arroz. Desse total, a maior perda está nos safristas da colheita da maçã.

– É um movimento sazonal que explica essa diferença em relação aos Estados que mais criaram empregos em maio.Tradicionalmente, o segundo trimestre é de perdas de postos de trabalho no RS, que se dá basicamente da desmobilização parcial de safristas – pontua o economista Rodrigo Feix, do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento.

Por conta dessa dinâmica, a tendência é de que haja continuidade de saldo negativo no Estado nos próximos meses, acrescenta o pesquisador. No caso da maçã, entre janeiro e maio ainda há um saldo positivo, evidenciando que o dado do quinto mês do ano ainda não traz toda a desmobilização na atividade.

Em relação ao ano, a expectativa é de dados positivos, com o setor mantendo o ritmo de criação de oportunidades. Desde que, claro, preços e clima não tenham mudanças bruscas.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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