CAMPO E LAVOURA | Uma temporada de outono aquecida na pecuária do RS

Depois de romper a barreira tecnológica, os leilões da pecuária gaúcha devem superar, neste ano, um outro limite: o do status sanitário. Com a condição de livre de febre aftosa sem vacinação, a ser homologada em maio pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Rio Grande do Sul promete ganhar novos terrenos. E a evolução do status sanitário é um dos fatores que alimentam a projeção de uma temporada de outono com preços valorizados. Os remates, voltados à venda de terneiros, terneiras e vaquilhonas, intensificam-se a partir do próximo sábado.

– Isso abrirá outros nichos de mercados, ampliará o leque de investidores e vai acrescer compradores – avalia Enio Dias dos Santos, presidente do Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Estado (Sindiler), sobre a nova condição sanitária.

A razão para o otimismo, no entanto, vai além. A demanda por carne de novilho, que tem como matéria-prima o terneiro, é outro ingrediente. Há ainda a demanda por fêmeas para reposição de rebanho e para abastecer outros Estados. No Rio Grande do Sul, depois de um 2020 de safra frustrada, a colheita recorde estimada para a soja no ciclo atual é vista como um impulsionador da economia, com efeitos sobre a pecuária.

Francisco Schardong, coordenador da Comissão de Exposições e Feiras da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), pontua que muitos produtores de soja capitalizados compram terneiros para "dar uma engordada no inverno" e, depois, revendê-los com peso maior, quando precisar liberar o espaço para a nova safra. Ele avalia que a procura na temporada será maior do que a oferta:

– Pelos bons preços do momento e porque a pecuária está gerando investimentos.

A avaliação é compartilhada pelo presidente do Sindiler-RS. A menor disponibilidade, acrescenta, reflete os efeitos da estiagem, que, além de derrubar a safra de 2020, interferiu no ciclo reprodutivo. E também em razão da venda de animais vivos para outros Estados.

A perspectiva é de que o quilo do terneiro na temporada supere a habitual relação de 20% a 30% acima do boi gordo – cotado à média de R$ 9,69 segundo levantamento do Nespro/UFRGS em 24 de março.

No formato, o meio virtual se consolidou. E ganha versão híbrida quando necessário. Há pecuaristas que fazem questão de ver os animais de perto. Para eles, são agendadas visitas para antes do evento.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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