CAMPO E LAVOURA | Um gigante que segue em fase de crescimento

A próxima década seguirá sendo de crescimento para a agropecuária brasileira. Estudo feito pelo Ministério da Agricultura mostra que tanto o resultado das lavouras quanto o da pecuária no ciclo 2029/2030 será maior do que o atual. Nos grãos, o acréscimo será de 67,4 milhões de toneladas, avanço de 27%. Na produção de carnes, as 6,7 milhões de toneladas a mais representam aumento de 23,8% (veja gráfico). E, apesar de haver expansão de área nesse intervalo, o principal fator para a expansão será a ampliação do rendimento por hectare.

– Nossa produtividade cresce a uma taxa quase duas vezes maior do que nos Estados Unidos. O Brasil é um dos países de maior produtividade mundial. Isso é fundamental para manter o crescimento – pontua José Garcia Gasques, um dos responsáveis pela projeção e coordenador-geral de Avaliação de Política da Informação do ministério.

A área de grãos deve avançar 16,7% – percentual inferior ao do rendimento. A expansão virá de novas fronteiras agrícolas, como o norte do país ou da substituição de culturas. O Estado do Tocantins tem a maior variação percentual de área prevista, de 30,7%.

Em representatividade, o Centro-Oeste se manterá na dianteira. Para a Região Sul, o volume estimado é 22% superior, com alta de apenas 8,5% em área.

– Tanto Sul quanto Sudeste têm pouco crescimento de área previsto. Já são estabilizadas, e as terras, bastante valorizadas – acrescenta Gasques.

Feitas a partir da combinação de estatística e de percepção, as projeções têm o objetivo de servir como base para a elaboração de políticas públicas que ajudem a superar gargalos identificados. Nesse cenário, infraestrutura é um item considerado importante, sobretudo no Norte. Porque o ganho obtido nas lavouras pode se perder, literalmente, pelo caminho. Outro investimento necessário para garantir produtividades elevadas é na área de pesquisas.

Além de grãos, outros produtos ganham terreno dentro e fora de casa. É o caso das frutas e das carnes, itens que acompanham a evolução de renda. E que devem ampliar seu espaço na pauta de exportações. A manga, por exemplo, tem crescimento de embarques projetado em 57,6% para 2029/2030. O açúcar é o item de maior expansão na pauta brasileira: 57,9%. Entre as proteínas animais, a carne suína deve crescer 36,8%. No quesito representatividade, soja e frango se mantêm no topo. O Brasil deve chegar a uma fatia de 52% das exportações mundiais do grão.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora