CAMPO E LAVOURA – Trigo com perspectiva de área maior em 10 de 12 regiões do RS

A regra que aparece na projeção da Emater para a safra de inverno no Estado é: mais espaço para o trigo. Depois de um verão rentável e com bons prognósticos também para estação de frio, o cereal voltou a ter dupla atratividade, econômica e financeira. O que faz das reduções de área a exceção. Mesmo onde o cultivo é consolidado e tem peso maior na produção gaúcha, há expansão.

E em alguns locais, o que chama a atenção é o percentual de avanço, ainda que a representatividade no mapa geral seja pequena. É o caso da área de Pelotas, no sul do Estado, que deve ampliar em 104,94% a área neste ano, indicando a repetição do caminho já feito pela soja. Serão 9,95 mil hectares com trigo, uma gota no oceano de 1,08 milhão de hectares do Rio Grande do Sul. Mas representam mais do que o dobro dos 4,85 mil hectares cultivados em 2020.

– A Metade Sul está virando mais agrícola. Mesmo sendo uma área ainda pequena (de trigo), o que anima é que os produtores estão adotando um sistema de produção – avalia Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater.

Responsável pela área de produção vegetal da Emater de Pelotas, Evair Ehlert, reforça que uma soma de fatores ajuda a explicar o avanço do trigo na região. Entram nessa lista o estímulo de empresas e cooperativas, conhecimento técnico do cultivo e o desenvolvimento de variedades, com qualidade para farinha, mais resistentes e produtivas:

– Outro motivo é que, com pecuária valorizada, não se encontram terneiros e bovinos magros para povoar as áreas. A opção é cultivar trigo.

O técnico entende que o espaço do cereal seria ainda maior se não impactasse no atraso da semeadura da soja na primavera-verão, dentro da melhor janela.

Nas duas maiores regiões da cultura, Ijuí e Santa Rosa, que respondem por 52% do total a ser semeado no território gaúcho, o crescimento será de dois dígitos, alinhado à media do Estado, de 13,29%.

A regional de Passo Fundo, que somará 90,63 mil hectares no atual ciclo, é outro destaque de expansão percentual, com 44,96% de avanço.

Outro fator que promete fazer as culturas de inverno sustentarem o ganho de fôlego é a proposta para uso como alternativa à alimentação de animais (aves, suínos e bovinos) diante das elevações de custo do milho.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *