CAMPO E LAVOURA | Terreno fértil

Com mais de 80% da matéria-prima importada, a indústria brasileira de fertilizantes tem na cotação da moeda norte-americana um fator importante na formação de preços. Com os valores em dólar entre 15% e 20% menores do que a média histórica para esse período do ano, e as commodities valorizadas em reais, o cenário atual tem sido favorável ao produtor, avalia Cleiton Vargas, vice-presidente de vendas e marketing da Yara Brasil:

– Nas culturas vinculadas ao câmbio, a relação de troca (custos versus preços recebidos) é muito favorável. O agricultor já comprou mais do que em igual período do ano passado. Quem pode travar valores, está fazendo isso.

No Rio Grande do Sul, há que se considerar nessa equação o impacto da estiagem, que provocou perdas na safra de grãos de verão, sobre a renda.

Em relação ao fator covid-19, o executivo da Yara diz que o mercado no Brasil seguiu operando de forma ativa. Por precaução, as empresas têm antecipado as importações de matéria-prima. A ideia é reforçar estoques para eventual cenário de interrupção, não necessariamente no país. Mas o quadro não aponta para crise de abastecimento, observa Vargas.

– Fertilizante é uma parte chave dentro do processo produtivo. É o momento de conseguir fazer o produto chegar ao agricultor para que a crise sanitária não leve à escassez de alimentos – acrescenta Vargas.

Para o segundo semestre, a tendência é de que esse insumo fique mais caro pela redução de oferta do frete para importação, que é o de retorno. Ou seja, a matéria-prima é despachada na volta das embarcações que saíram com itens para exportação. Como a previsão é de recuo nos embarques, isso deve restringir – e encarecer -as possibilidades no momento da importação.

No ano passado, o consumo de fertilizantes no Brasil atingiu um volume histórico de 36,24 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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