CAMPO E LAVOURA – Soja duplamente valorizada na safra

Uma combinação de fatores, que vão da demanda à variação cambial, tem feito com que o preço da soja, em plena safra brasileira, siga subindo na direção de recordes – no porto de Rio Grande, a saca de 60 quilos fechou a R$ 179 na sexta-feira. Nesse momento, um dos grandes impulsos tem vindo da Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos. Na última semana, a cotação do bushel (medida que equivale a 27,2 quilos) rompeu a barreira dos US$ 15, alcançando o maior patamar desde junho de 2014. Nos contratos para maio, a semana fechou com alta de 6,20%, em US$ 15,3975.

O aumento acelerado dos últimos reflete a mudança de foco. Com a colheita na América do Sul indo para o encerramento, o olhar se volta para o novo ciclo de produção da soja nos EUA, observa Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da Safras & Mercado:

– Daqui para frente, o grande fator é o clima americano. E, nesse momento, existem ainda dúvidas sobre o tamanho da área (a ser cultivada).

O combustível da escalada veio das temperaturas baixas registradas, que podem atrapalhar a germinação. O analista avalia que o ritmo da aceleração foi um tanto quanto exagerado, porque se está no início do ciclo, o que, em tese, dá tempo de contornar problemas.

– Mas o mercado está mais sensível em razão dos estoques apertados (de soja nos EUA) – pondera Roque.

A oferta mais ajustada em território americano se deve à redução da última safra, à melhora na relação com a China, com reflexo nas compras e à demanda interna.

No Brasil, o peso da entrada da safra ainda não foi sentido. Chicago e câmbio acabam compensado a redução no prêmio (espécie de bônus pago). O resultado é um preço que segue em expansão, apesar do avanço das máquinas no campo.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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