CAMPO E LAVOURA | Soja a uma chuva de garantir a safra

As próximas duas semanas serão decisivas para a safra de soja do Rio Grande do Sul. Da umidade nesse período depende a garantia de uma safra cheia, podendo chegar à marca inédita de 20 milhões de toneladas. Depois de uma arrancada difícil, com o tempo seco imprimindo atraso no plantio – e perdas em outra cultura, a do milho -, o momento é de otimismo. A chuva acima da média que caiu em janeiro devolveu o ciclo de volta "aos trilhos". E, agora, com 56% da área semeada na fase de enchimento de grão, as precipitações se tornam cruciais.

A umidade "alimenta" o grão, fazendo com que tenha o maior tamanho possível, o que se converte em produtividade. Por isso, é tão importante que chova.

– De terça a sexta-feira, tivemos chuva generalizada em praticamente toda a região. Com mais uma chuva no período de sete a 15 dias, teremos garantia da produtividade esperada – observa o engenheiro agrônomo Gilmar Bortolini, responsável pela área de produção vegetal na Emater de Ijuí.

Contemplando 44 municípios do noroeste gaúcho, é um bom termômetro: soma quase 950 mil hectares cultivados. É um parcela importante dentro da área do Estado, inéditos mais de 6 milhões de hectares. As condições para que se possa chegar à melhor produtividade média na região estão postas.

Igualmente otimista está Décio Teixeira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS):

– As lavouras estão limpas, sem praga. E ainda tem previsão de chuva entre os dias 9 e 15, que será suficiente para completar a nossa safra.

Como produção contada é a produção colhida, recomenda-se evitar o clima de "já ganhou".

– Com mais essa chuva de agora temos um cenário bem positivo. Mas ainda se pode ter algum revés. As duas próximas semanas têm um peso muito grande – pontua Alencar Rugeri, diretor-técnico da Emater.

as exportações brasileiras de carne bovina começaram 2021 em queda. no acumulado dos dois primeiros meses, a receita recuou 7%, somando US$ 1,1 bilhão. em volume, a redução foi de 6%, com 251,63 mil toneladas embarcadas, segundo a associação brasileira de frigoríficos (ABRAFRIGO), a partir de dados do ministério da economia. houve retração também no mês de fevereiro: -5% em quantidade e -1% em faturamento.

A vez delas no comando

As mulheres deixam de ser coadjuvantes, conquistando espaços como protagonistas em suas atividades. Qualificadas e preparadas, começam a vencer também as barreiras no caminho da liderança.

A coluna conversou com três profissionais que estão hoje em posições de comando no agronegócio gaúcho. E pediu que contassem um pouco da suas trajetórias, além de destacarem como veem a participação feminina, no presente e no futuro da atividade.

Confira abaixo trechos dos relatos.

Foi no mês de março de 2020, que Helena Pan Rugeri se tornou a primeira mulher a assumir o comando da superintendência do Ministério da Agricultura no Estado. Natural de Constantina, no Norte, mudou-se aos 12 anos para a Capital e, para matar a saudade, lia as notícias do campo. Na hora de escolher a profissão, optou pela Engenharia Agronômica e em 2002 ingressou no ministério. Acredita que, embora ainda sejam poucas as mulheres em altos cargos, no agro estão mais fortes, determinadas, participativas e positivas.

Há quase 21 anos na Secretaria da Agricultura, Rosane Collares ocupa hoje o cargo de diretora do Departamento de Defesa Agropecuária. Ela assumiu a posição em maio de 2020 e vem trabalhando na linha de frente na busca do novo status sanitário do RS, de livre de aftosa sem vacinação. Passou a infância e boa parte da juventude acompanhando o trabalho do avô e depois auxiliando o primo em uma fazenda em Bagé. Na hora de escolher o que fazer, a Medicina Veterinária foi a opção que ela sempre quis.

É com a percepção de que a mulher "coloca a mão na massa" que Maribel Costa Moreira assumiu em 2020 a coordenação da Comissão Estadual de Mulheres da Fetag-RS – uma mudança no estatuto determinou que elas fossem metade da diretoria. Filha de produtores familiares, começou a trajetória como representante em 2012, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pinheiro Machado. Pedagoga e pós-graduada em Educação e Diversidade Cultural, entende que ainda há uma "invisibilidade do trabalho da mulher no meio rural".

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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