CAMPO E LAVOURA – Socorro à estiagem em construção

Ainda que as ações propriamente ditas possam demorar um pouco mais, porque a execução em muitos casos depende de ritos burocráticos, a expectativa é de que dentro de 15 dias seja possível ter uma sinalização do que o governo federal fará para minimizar prejuízos da estiagem. Ontem, houve nova reunião em Brasília, com técnicos de diferentes áreas – inclusive os do Ministério da Economia.

– Algumas ações estão previstas no manual de crédito rural, mas precisam de aval do Conselho Monetário Nacional, precisam ser construídas – pondera Ivan Bonetti, diretor de Políticas Agrícolas da Secretaria da Agricultura.

O encontro foi marcado e teve a presença da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.Na quarta-feira, ela recebeu documento com sugestões feitas por 11 entidades do setor e endossadas por parlamentares e governo do Estado. São medidas que vão da renegociação de financiamentos de custeio e de investimento ao acesso do produtor de tabaco às linhas especiais de repactuação.

– Tem coisas que não dependem só do Ministério da Agricultura, mas sentimos neles a intenção de achar um caminho – diz Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do RS (Farsul).

Entre os pontos que transcendem a pasta está a criação de espécie de "bolsa-estiagem", para atender agricultores familiares que não se enquadrarem em nenhum tipo de renegociação. Seria um salário mínimo mensal por período de três meses, para garantir a subsistência. A medida já foi adotada por conta de estiagem no Estado.

– É para o produtor que planta com recursos próprios e não consegue nem chegar ao crédito – observa Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS).

Um dos pontos mais urgentes é o de renegociação das datas dos pagamentos de financiamentos.

– O esforço é para que tudo esteja pronto quando chegar o dia dos vencimentos dos produtores, que começam daqui 40 dias – observa Luz.

NO RADAR

Preocupados com o que classificam como "precarização do serviço oficial", fiscais estaduais agropecuários criaram comissão técnica para tratar do tema. A decisão foi tomada em assembleia da Afagro. A ideia é abrir um canal de comunicação com entidades do setor produtivo. A avaliação da entidade é de que essa situação pode comprometer o processo de evolução do status sanitário – o Rio Grande do Sul busca a retirada da vacina contra aftosa.

A COLHEITA DE SOJA ALCANÇOU 8% DA ÁREA TOTAL DA CULTURA NO ESTADO, APONTA LEVANTAMENTO DA EMATER DIVULGADO ONTEM. OUTROS 36% DAS LAVOURAS ENCONTRAM-SE PRONTOS PARA COLHER, 48% EM ENCHIMENTO DE GRÃOS, 7% EM FLORAÇÃO E 1% EM DESENVOLVIMENTO VEGETATIVO.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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