CAMPO E LAVOURA | Setor expõe as divergências com reforma tributária do RS

Um dos setores mais críticos aos termos da reforma tributária proposta pelo governador Eduardo Leite, o agronegócio começa a expor seus pontos de divergência em relação ao texto divulgado na semana passada. Hoje, a diretoria da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) participa de reunião com Leite e elencará os trechos que causam preocupação aos produtores rurais.

Após a apresentação da reforma, o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, disse que a proposta onera "da produção ao patrimônio" e que o setor acabaria "pagando a conta". Neste sentido, o economista-chefe da entidade, Antônio da Luz, preparou estudo que será mostrado a Leite sobre possíveis impactos para atividade. A ideia é sensibilizar o governo de que a proposta, nos moldes atuais, retiraria competitividade da produção gaúcha.

– Compreendemos a necessidade de se fazer uma reforma tributária e vemos uma série de virtudes nessa proposta. Mas não se pode esperar que ela desonere segmentos e onere outros, definindo vencedores e perdedores. Na reforma, do jeito que está, o agronegócio é o grande perdedor – avalia.

Outras entidades representativas, que não participam no encontro de hoje, também pretendem iniciar diálogo com o Palácio Piratini para manifestar pontos de discordância com o texto. Nos próximos dias, a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) devem solicitar agenda para discutir o tema.

– Temos preocupações, mas ainda é cedo para fazermos qualquer avaliação – aponta Paulo Pires, presidente da Fecoagro-RS, que deverá agrupar a posição das cooperativas associadas nos próximos dias.

Na agricultura familiar, a proposta é recebida com ressalvas. O fim de isenções fiscais para hortifrutigranjeiros, leite, ovos e frutas e o aumento do ICMS de 18% para 25% no vinho são alguns dos itens vistos com preocupação.

– Aumentará o custo para o produtor e isso vai acabar impactando muito o consumidor – pondera Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte: Zero Hora

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