CAMPO E LAVOURA | Safra e cotações reforçam projeção de receita recorde da agropecuária

Mais do que uma recuperação do faturamento perdido para a estiagem em 2020, o valor bruto da produção agropecuária (VBP) estimado pelo Ministério da Agricultura para o Estado é o melhor resultado em uma década. Os R$ 111,95 bilhões de 2021 são crescimento real de 80% em relação a 2012. Há de se fazer a ressalva de que produção e produtividade cresceram nesse intervalo. E que, naquele ano, a colheita de grãos no Rio Grande do Sul sofria outro revés por conta do tempo. Mas reflete também o momento singular deste ano, com a combinação de safra recorde e preço valorizado na produção de soja.

E coloca os gaúchos de volta ao quarto lugar no ranking dos Estados com participação de 10,6% no país, atrás de São Paulo, Paraná e Mato Grosso.

Da mesma forma, o cenário nacional de produção farta e commodities em alta reforçam a estimativa de que o Brasil alcance, pela primeira vez na história, uma cifra trilionária. No dado apresentado ontem – atualização é mensal -, a receita da produção agropecuária é projetada em R$ 1,06 trilhão. O valor representa aumento real de 12,4% sobre o ano passado.

As lavouras geram a maior fatia, com R$ 727,72 bilhões.

A pecuária soma R$ 330,12 bilhões. Entre os "puxadores" na agricultura estão soja e milho, com recordes sucessivos de faturamento nos últimos três anos. Somados, os dois produtos respondem por 65% do VBP. Entre as razões para esse crescimento, segundo o departamento de Crédito e Informação, estão a demanda interna e o comportamento de mercados como Estados Unidos e China.

Na pecuária, a carne bovina tem a maior fatia da receita, com 45%. Acompanhada na linha de frente por frango e leite – os três juntos são 86,2% do valor total gerado.

No Rio Grande do Sul, a produção agrícola deve gerar R$ 80,61 bilhões, com a maior contribuição vindo da soja – somando R$ 52,26 bilhões, valor reajustado em relação ao mês passado. A pecuária tem previsão de R$ 31,34 bilhões.

É uma chance de ouro para o produtor ter renda. Claro, resultado bom é resultado colhido – e as máquinas ainda estão a campo, trabalhando. Da mesma forma, cotações e câmbio dependem de fatores que não podem ser controlados. Mas a perspectiva, neste momento, é animadora.

Colheita cheia

De uva em uva, a safra 2021, que acaba de ser colhida, vai confirmando recordes na produção do Rio Grande do Sul. A Nova Aliança, que reúne cinco cooperativas, teve o maior volume da história: 49,3 milhões de quilos, de áreas na Serra, em Encruzilhada do Sul e na Campanha.

– Tivemos uma safra grande e boa – afirma o presidente da cooperativa, Alceu Dalle Molle.

Do total, 45,3 milhões de quilos são de uvas americanas, destinadas a sucos e vinhos de mesa. Outros 3,8 milhões de quilos, de viníferas, para vinhos finos. Com cerca de 700 associados e entre 1,8 mil e 1,9 mil hectares cultivados, a Nova Aliança também contabiliza 1,29 milhão de quilos de produção orgânica certificada.

A safra deste ano permitiu a recomposição dos estoques, depois dois ciclos seguidos de perdas. Em 2019, o granizo provocou perda de 10 milhões de quilos de uva. No ano passado, foi o tempo seco que prejudicou. No ciclo 2020/2021, depois de um início com pouca umidade, os resultados foram garantidos com as precipitações de janeiro, explica o presidente da cooperativa:

– O que determina a safra é o inverno, e tivemos um perfeito. Os vinhedos são novos e, como vínhamos de duas safras de baixa quantidade de uva, estavam descansando.

Além do clima favorável, o presidente da Nova Aliança atribui o resultado ao empenho de associados e funcionários. A maior fatia da produção, cerca de 60%, destina-se ao suco de uva. Vinhos finos e espumantes vêm ganhando espaço no negócio. E, assim como no Estado, têm tido um desempenho melhor.

Com 90 anos de história (e 10 anos de fusão com as cooperativas São Victor, de Caxias do Sul, São Pedro e Santo Antônio, de Flores da Cunha, e Linha Jacinto, de Farroupilha), a Nova Aliança projeta uma safra 2021/2022 positiva. O controle de todo o processo é feito com a ajuda do NA Web, aplicativo desenvolvido para os associados. Aliás, a meta é fazer o percentual dos que usam a versão digital avançar.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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