CAMPO E LAVOURA | Safra de verão no Estado deve crescer 40% em 2021

Após ano de estiagem, próxima colheita é estimada pela Emater em 32,5 milhões de toneladas de soja, milho, arroz e feijão

Após passar por estiagem prolongada e enfrentar quebra na produção agrícola neste ano, o Rio Grande do Sul deverá ter supersafra de grãos no próximo verão. Conforme a primeira estimativa para o ciclo 2020/2021, divulgada ontem pela Emater, o Estado colherá 32,5 milhões de toneladas de soja, milho, arroz e feijão – em relação ao ciclo 2019/2020, o aumento é de 40,27%.

O avanço expressivo se deve, principalmente, pela baixa base de comparação, fruto do tempo seco. Ainda assim, os grãos de verão ganharão espaço: a área plantada totalizará 7,86 milhões de hectares, alta de 1,85% frente à safra passada.

O diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, destaca que, caso o clima não afete a produtividade e as projeções se confirmem, 2020/2021 tende a gerar a segunda maior safra da história do Estado. Ficaria atrás apenas de 2016/2017, que totalizou 33,6 milhões de toneladas. Desta vez, o contexto marcado pelas cotações valorizadas dos grãos traz perspectivas positivas ao produtor, o que poderá atenuar os prejuízos deixados pela estiagem.

– Se tivermos manutenção desses preços e a safra for o que estamos estimando, vamos ter um resultado econômico interessante no ano que vem. O produtor tem mecanismos de comercialização que permitem a ele assegurar os preços que temos hoje – aponta.

Como nos anos anteriores, o carro-chefe da produção gaúcha será a soja. A oleaginosa segue se expandindo pelo Estado e deve romper a barreira dos 6 milhões de hectares pela primeira vez na história. A área cultivada chegará a 6,07 milhões de hectares, aumento de 1,55%. A produção deverá ficar em 18,9 milhões de toneladas, expansão de 68,82% em relação ao ciclo passado.

– O produtor vai fazer tudo o que for possível para se recuperar nesta safra. A passada começou a ser vendida a cerca de R$ 70 por saca e neste ano já estamos arrancando acima de R$ 110 – compara Décio Teixeira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS).

Para Teixeira, a produção poderá superar a previsão da Emater e obter mais de 20 milhões de toneladas. O dirigente avalia que a área plantada da oleaginosa tem potencial para seguir avançando, em especial na região da fronteira.

Outro grão que foi afetado diretamente pela estiagem, o milho também deve ter números mais robustos no próximo ciclo. A área cultivada vai alcançar 787 mil hectares, aumento de 4,7%. Com isso, a produção esperada é de 5,9 milhões de toneladas, alta de 43,05%.

Déficit

O presidente da Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho-RS), Ricardo Meneghetti, ressalta que o leve incremento no plantio é puxado por produtores que tradicionalmente já apostavam na cultura. Na primeira safra após a implementação do programa estadual Pró-Milho, o dirigente diz que a expectativa é diminuir o déficit da produção gaúcha em relação à demanda da indústria de proteína animal.

– Geralmente, a indústria precisa buscar de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas de milho fora do Estado. Levando em consideração uma boa colheita no Estado e o aumento da demanda, esse déficit poderá ficar em torno de 1 milhão de toneladas – projeta.

Cultura que voltou a ser valorizada recentemente, o arroz deverá chegar a ter área plantada de 967,5 mil hectares, avanço de 1,7%. Já a produção esperada é de 7,6 milhões de toneladas, recuo de 2,14%.

– O momento do arroz (com preço da saca acima de R$ 100 ao produtor) incentiva os produtores a retomarem um pouco a área plantada – resume Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do RS.

Já o feijão será cultivado em 37,4 mil hectares, alta de 0,89%. É esperado avanço de 19% na produção, alcançando 64,5 mil toneladas.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES

Fonte: Zero Hora

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