CAMPO E LAVOURA – Safra de verão avança em meio à tensão com nova estiagem

A sensação de reprise do verão passado está cada vez mais presente entre os agricultores gaúchos. A estiagem derrubou a produção na safra passada e, como se fosse uma franquia de filme de terror, voltou para ameaçar as lavouras pelo segundo ano consecutivo. Em meio ao avanço do plantio de milho e da soja no Rio Grande do Sul, o tempo seco já deixa suas marcas.

Desde 27 de outubro, 53 municípios do Estado decretaram situação de emergência por causa da estiagem, segundo a Defesa Civil. As ocorrências vêm justamente em um momento crucial para o milho. Nesta semana, segundo a Emater, o plantio alcançou 80% da área, sendo que 37% das lavouras estão em floração ou enchimento de grãos.

As regiões Noroeste e Norte, as primeiras a plantarem, estão entre as mais impactadas. Há relatos de perda total em algumas lavouras. Diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri destaca que ainda é cedo para estimar o tamanho da quebra na safra gaúcha, mas ressalta que o prejuízo será inevitável. Como a janela de plantio ainda está aberta, produtores afetados poderiam semear novamente a área com milho. No entanto, isso poderia impactar o ciclo da soja mais adiante.

– O cenário é de bastante dificuldade. É um ano mais tenso do que o passado, pois os preços estão bastante favoráveis ao produtor. Isso gera uma frustração – salienta Rugeri.

O tempo seco também vem afetando o ritmo do cultivo da soja. Nesta semana, a semeadura atingiu 35%, quando a média histórica para essa época é de 46%. A oleaginosa, no entanto, ainda não tem prejuízos consolidados, pois tem tempo para se recuperar da falta de água.

Meteorologista da Somar, Cátia Valente lembra que a escassez de chuva está diretamente relacionada ao fenômeno La Niña, que deverá permanecer no seu pico até janeiro. Neste sentido, Cátia aponta que a chuva que caiu no Estado nas últimas semanas foi pontual e, portanto, insuficiente para resolver o déficit hídrico acumulado.

– Nas próximas semanas há expectativa de chuvas, mas ainda irregulares e abaixo do padrão para a época – diz.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte : Zero Hora

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