CAMPO E LAVOURA – Safra de trigo pode deixar pães, massas e biscoitos "mais leves"

A perspectiva de uma safra farta de trigo, podendo bater, no caso do Rio Grande do Sul, o recorde de 2013, é o ingrediente principal da expectativa de que pães, massas e biscoitos possam ficar mais leves neste ano. O que quer dizer alívio nos custos de indústrias e, consequentemente, no preço final para o consumidor. A razão vem da equação entre produção e consumo do cereal no Brasil. O país não é autossuficiente, ou seja, consome mais do que colhe, o que exige a importação.

Neste cenário, a variação cambial acaba sendo um balizador de preços, explica Caludio Zanão, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi).

Ele foi um dos palestrantes do Fórum Nacional do Trigo, realizado ontem virtualmente.

– O trigo acaba sendo dolarizado pela dependência externa, tem preço baseado em volume da safra e câmbio. Um maior volume da produção nacional ajuda a manter o preço mais estável – pontua Zanão.

O dirigente falou sobre as perspectivas de consumo neste ano, depois de um 2020 em que houve expansão de 9,08% em faturamento e de 5,35% em volume nas quatro categorias de produtos do setor.

– Acreditamos que vamos chegar a um crescimento de 3% em volume e de 5% a 7% em faturamento – acrescentou, sobre o desempenho de 2021.

No ano passado, dois fatores acabaram modificando a receita tradicional do consumo de produtos feitos com trigo. Estudo encomendado pela Abimapi mostra o peso do distanciamento social e do pagamento do auxílio emergencial sobre a compra desses itens. Os pães industrializados, embora respondam por fatia menor do que os "de padaria", tiveram o maior incremento de vendas: 11,65% sobre 2019.

– As ocasiões de consumo cresceram com as pessoas estando mais em casa. E o pão industrializado tem vida útil maior, pode ser armazenado – observa o presidente da Abimapi.

As massas também tiveram aumento de 6,16% na quantidade vendida. O menor avanço em volume foi o de biscoitos, 2,2%. Reflexo da perda de alguns canais tradicionais de consumo, como escritórios e lanches escolares. Mesmo assim, se mantiveram representativos: 99,7% das residências pesquisadas – ou 57,7 milhões de lares – compraram biscoito no ano passado, com uma média de 24 vezes no ano e gasto médio anual de R$ 236.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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