CAMPO E LAVOURA – Safra de contêiner

Dominante nos campos gaúchos de inverno, o trigo também pede passagem nas águas do porto de Rio Grande. Em mais um movimento dentro da estratégia para transporte de cargas agrícolas, o Tecon aposta em embarques do cereal via contêineres. É uma sequência do projeto de conteinerização, para um produto tradicionalmente carregado a granel, explica o gerente comercial Rodrigo Velho:

– Essa safra deve propiciar a abertura de mercados. Queremos criar condições para os produtores chegarem a locais diferentes.

Inclusive dentro do Brasil. Uma das rotas potenciais é para o norte do país. Com o contêiner indo até o porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA) e depois chegando até o Amapá de barco.

Entre os atrativos do novo formato, o diretor cita a possibilidade de fracionamento de cargas, a pulverização das entregas entre vários destinos e o menor manuseio do produto.

– O trigo chega do Interior, é estufado por meio de um basculador e vai solto dentro do contêiner. Não tem necessidade de ser ensacado, o que faz com que o custo seja mais baixo – completa Velho.

Produtos como fumo, frango e suíno congelados dão corpo à relevância das cargas agrícolas nos negócios do Tecon. A de fertilizantes está bem adiantada e de trigo, soja e milho "tem muito mercado para alcançar", avalia o diretor comercial.

De janeiro a maio, o volume total de cargas movimentadas pelo terminal em Rio Grande cresceu 12,05% sobre 2020. A pandemia, associada a outros fatores, desencadeou um descompasso, com efeito que persiste: a escassez de contêineres. O atraso tem ficado entre quatro e cinco dias a mais do que a programação.

A elevada procura global também ampliou custos e levou a um encarecimento de fretes marítimos, que podem chegar a 400% no período de um ano em algumas rotas.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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