CAMPO E LAVOURA | Safra certificada

Com cerca de 20 mil produtores integrados nos três Estados do Sul, a Souza Cruz dará início ao projeto para certificar 100% da produção, da implantação de mudas ao processamento do tabaco para exportação. A proposta se alinha à recente determinação do Ministério da Agricultura – trazida por meio de Instrução Normativa – para que seja adotada a prática.

– O objetivo é ter a safra 2021 certificada. Além da rastreabilidade, dá ao comprador a garantia de que a produção é sustentável – observa Cristiano Roth, diretor de tabaco.

O Brasil é, há mais de 20 anos, o maior exportador mundial, somando mais de 110 destinos. As lavouras estão concentradas no Sul, e o Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional.

Neste ano, o setor teve de se ajustar por conta de dois fatores de impacto: a estiagem e a pandemia. Roth explica que as regiões do extremo sul e da depressão central do Estado foram as que mais tiveram problemas em razão da falta de chuva. Mais do que a redução de volume, é a qualidade que preocupa produtores, porque isso afeta a remuneração. O executivo acrescenta que, para tentar minimizar o efeito do tempo seco, a empresa tem apostado na chamada fertirrigação:

– Estamos aumentando nossa área, principalmente no extremo sul, de 10% para 14%.

Em relação à pandemia, foi necessário ajustar desde a linha de produção até as tradicionais visitas de estrangeiros, que entre março e abril vêm conferir de perto a safra e negociar preço – e que tiveram de ser substituídas por outros formatos. As atividades da Souza Cruz foram paralisadas por duas semanas. Hoje, a unidade de Santa Cruz do Sul opera com 75% da capacidade. Mais de 500 funcionários do grupo de risco foram afastados, entre outras medidas adotadas. A marca registrou inclusive contratações.

Os embarques seguiram de forma normal. O período de compras, no entanto, deve se estender um pouco mais.

Mais de 10 mil produtores já teriam renegociado financiamentos no Estado, segundo levantamento com bancos. É um número tímido, considerando que o potencial era de 200 mil.

no radar

Termina na sexta-feira o prazo para que sejam encaminhadas solicitações para o programa Troca-Troca de Sementes de Milho e Sorgo safra 2020/2021, que subsidia a compra feita por produtores familiares. Até o momento, 440 entidades repassaram pedidos, somando mais de 33,5 mil agricultores e mais de 100 mil sacas.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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