CAMPO E LAVOURA – RS terá segunda safra seguida com quebra no milho

Pela segunda temporada consecutiva, o Rio Grande do Sul terá quebra na safra de milho por causa do tempo seco. Após a frustação em 2019/2020, desta vez foi a estiagem na primavera que afetou as lavouras gaúchas semeadas no período 2020/2021 e se refletirá em menor volume a ser colhido. A situação não é novidade. O clima adverso também derrubou a produtividade da cultura duas vezes seguidas entre 2003/2004 e 2004/2005.

Resta saber o tamanho exato do tombo deste ano frente ao anterior, já que a colheita alcançou somente 18% da área até semana passada. O diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, lembra que o tempo seco prejudicou principalmente as lavouras do Noroeste, primeira região a plantar e responsável por parte expressiva da produção do Estado. Como a estiagem ocorreu mais cedo, entre outubro e novembro, alguns produtores tiveram a possibilidade de semear novamente as áreas atingidas. Isso pode atenuar o tamanho da redução na safra.

– O milho que foi plantado naquele período está sendo colhido com produtividade muito abaixo do esperado, esse é um prejuízo consolidado. Teve produtor que perdeu até 100% da lavoura. Mas não temos um cenário uniforme no Estado. Há propriedades, em um mesmo município, que receberam chuva e outras que não – lembra Rugeri, ressaltando que também há produtores colhendo safra cheia.

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS) projetam produção entre 3 milhões e 3,5 milhões de toneladas para o Rio Grande do Sul neste ano. O resultado representaria queda de até 28% frente ao colhido na temporada anterior. Se levada em consideração a expectativa antes do plantio, o recuo é ainda maior. Na ocasião, a projeção inicial da Emater era de 5,9 milhões de toneladas.

Presidente da Fecoagro-RS, Paulo Pires lembra que a nova frustração do milho ampliará o déficit gaúcho em relação à demanda da indústria de proteína animal. Por ano, os criadores necessitam quase 7 milhões de toneladas de milho para ração, volume que há 20 anos não é atendido dentro do Estado. Assim, será necessário buscar mais milho em outras unidades da federação. Outro efeito será a perda de atratividade da cultura entre os agricultores.

– Não tenho dúvida de que esse produtor atingido dois anos seguidos pela estiagem, em especial do Noroeste, vai reduzir a área no próximo ano – alerta Pires.

Apesar dos problemas no cereal, entre os agricultores há a expectativa de que a safra de soja ajude a compensar os prejuízos. Os preços valorizados da oleaginosa e o bom desenvolvimento da cultura, neste momento, trazem otimismo ao produtor gaúcho. Mas, para que o humor não volte a azedar, é necessário que a chuva ocorra dentro da normalidade nos próximos meses.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte : Zero Hora

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