Campo e Lavoura – Riscos à lavoura – Indústria a céu aberto, com seguro ainda restrito

Fundo privado para financiar a cobertura agrícola poderá ser criado por produtores, indústrias, seguradoras e governo

Indústria a céu aberto, com seguro ainda restrito Diogo Zanatta/Especial

Entre as culturas com seguro no país, a soja é a que responde pelo maior percentualFoto: Diogo Zanatta / Especial

Uma indústria a céu aberto, suscetível a riscos climáticos, a agricultura brasileira tem pouco mais de 15% de sua área coberta com seguro agrícola. Nos Estados Unidos, o percentual passa de 90%. Guardadas as proporções entre o modelo americano criado na década de 1950 e o brasileiro com apenas 10 anos, a diferença está basicamente na fonte de recursos.

Enquanto os Estados Unidos aportam cerca de US$ 110 bilhões por ano para assegurar o faturamento das lavouras, no Brasil a verba de R$ 400 milhões destinada pelo governo à subvenção do seguro rural neste ano atendeu um terço dos interessados em contratar a cobertura.

– Há uma demanda reprimida no setor. O seguro agrícola ainda é muito caro, o custo é o dobro do crédito – exemplifica o economista Pedro Loyola, vice-presidente da Comissão de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Loyola refere-se ao alto preço do prêmio, valor pago às seguradoras para contratar a cobertura. Em 2005, com a criação do Programa de Subvenção do Prêmio de Seguro Rural, o governo passou a destinar recursos para ajudar o segmento, dentro das ações voltadas à segurança alimentar do país.

Foto: Arte ZH

Na soja, por exemplo, a subvenção cobre de 35% a 45% do prêmio. O restante é assumido pelo produtor. Ocorre que apenas 40% dos seguros contratados hoje no Brasil recebem o benefício, os outros 60% são pagos integralmente pelos agricultores, segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

– O custo é proporcional ao risco. À medida que o mercado crescer, os preços serão reajustados – diz Wady Cury, presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg.Cury salienta que, até poucos anos atrás, o agricultor brasileiro não tinha a cultura de segurar as lavouras, mas que o comportamento mudou com o aumento de eventos climáticos.

Na safra 2015/2016, as seguradoras desembolsaram R$ 1,4 bilhão para cobrir perdas na produção de grãos e na fruticultura – o maior valor da história. Mais de 80% dos sinistros, segundo a FenSeg, estão concentrados em dois eventos climáticos: seca ou chuva excessiva.

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Apesar de concordar que o valor destinado à subvenção ainda é insuficiente, o diretor de Crédito, Recursos e Riscos do Ministério da Agricultura, Vitor Ozaki, destaca que o número de beneficiários vem aumentando ano a ano – reduzindo o custo do seguro ao produtor. Reconhece, porém, que a incerteza do volume de recursos todos os anos prejudica a contratação. Para ter um planejamento mais claro do mercado de seguro agrícola, o governo criará um sistema de informações, o SIS-Rural, que deverá entrar em operação em julho de 2017.

– Não temos uma estimativa real da demanda. Seguro é dependente de informação, sem isso não temos nem como precificar – afirma Ozaki.

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Incumbido da missão de construir uma proposta de seguro agrícola financiado por um fundo privado, um grupo de trabalho criado há 90 dias concluirá o relatório na segunda-feira. O modelo, criado com a participação de produtores, seguradoras e indústrias, será entregue ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

– É uma proposta inovadora, na qual o fundo terá gestão compartilhada por todos os agentes, com regras claras de mercado – adianta Alysson Paulinelli, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milho (Abramilho), que assumiu a tarefa de coordenar o esforço.

Se a proposta prosperar, a ideia é implantar o fundo na próxima safra, no ciclo 2017/2018.

Por: Joana Colussi

Fonte : Zero Hora

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