CAMPO E LAVOURA – Resultado histórico

O apetite chinês pela carne suína brasileira não só se manteve como ficou ainda maior neste ano na comparação com 2019. E será ingrediente essencial na conquista de uma marca histórica para o Brasil: pela primeira vez, as exportações da proteína chegam à casa do milhão. Em análise do setor, Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projetou que os embarques totais de 2020 fiquem entre 1 milhão e 1,03 milhão de toneladas, alta de 33% a 37% (veja quadro abaixo).

– Sem dúvida, é o grande destaque do ano. Confirma aquilo que se falava lá em 2018, quando começou o surto de peste suína africana: que o efeito seria sentido com mais força ainda em 2020 do que em 2019 – observa Ricardo Santin, presidente da entidade.

Projeção ancorada no fato de que, em 2019, a China, apesar de duramente impactada pela doença, ainda tinha uma reserva para atender a demanda do mercado interno. Neste ano, o país asiático pesou a mão nas compras: foi o principal destino da carne suína brasileira, comprando metade de todo o volume embarcado pelo país. E mais do que dobrou a quantidade adquirida o acumulado novembro, somando agora 468,57 mil toneladas.

Se a região administrativa especial de Hong Kong for incluída na conta dos maiores compradores, o percentual vendido pelo Brasil chega a 67%. Aliás, os quatro primeiros do ranking são todos asiáticos. É um mercado de peso, que ajuda a engordar também o faturamento: os R$ 2,08 bilhões no acumulado do ano representam 47,1% a mais do que em igual período do ano passado.

Com oito dos 16 frigoríficos de suínos do Brasil habilitados à China, O Rio Grande do Sul se firma na segunda posição entre os Estados, respondendo por 26% do total de carne supina embarcada pelo Brasil. A possibilidade de confirmar o status de livre da aftosa sem vacinação cria a expectativa de um cenário ainda melhor, entrando em mercados hoje só acessados pelos catarinenses, maiores exportadores do país.

E, se há a fatia abocanhada pela China preocupa, o dirigente da ABPA usa números para tranquilizar. Em processo recuperação do plantel perdido o país asiático deve levar, pelo menos, até 2025 para chegar ao patamar pré-doença. Ainda assim, teria um déficit de 3 milhões de toneladas em permanecendo os atuais níveis de consumo. Além disso, ressalta Santin, há mercados novos e habilitações ampliadas em países como Singapura, Myanmar e Vietnã, entre outros.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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